Presidente do Parlamento iraniano participou de repressão a protestos em seu país, advertiu Donald Trump de que entraria em um 'atoleiro' caso atacasse República Islâmica e causou forte impressão na delegação americana que negociou memorando 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, apresenta candidatura para suceder Ebrahim Raisi, morto em 20 de maio em acidente de helicóptero — Foto: ATTA KENARE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 08:58 Qalibaf se Destaca como Negociador-Chave entre Irã e EUA Mohamad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, emerge como principal negociador no acordo entre Irã e EUA, causando forte impressão na delegação americana. Conhecido por sua ambição, Qalibaf tem um histórico de repressão a protestos e liderança militar. Ele assume destaque em um cenário de poder incerto pós-Khamenei, mas continua subordinado a instâncias superiores, como a Guarda Revolucionária. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, emergiu como o principal negociador e um dos rostos mais visíveis da República Islâmica, que se prepara para assinar um acordo com os Estados Unidos na próxima sexta-feira. Pilar do establishment há três décadas e uma de suas figuras não religiosas mais destacadas, Qalibaf, de 64 anos, assumiu um papel de protagonismo durante a guerra e nas negociações com Washington. Foi ele quem liderou a delegação iraniana nas conversações realizadas em Islamabad no último dia 11 de abril, quando reuniu-se com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, no contato de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979. Uma imagem divulgada nas redes sociais pelas embaixadas iranianas mostrava o presidente do Parlamento no centro da equipe negociadora iraniana, enquanto o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi, permanecia em segundo plano entre xícaras de chá. No Irã, não está claro quem exerce o poder após mais de três décadas e meia de domínio do líder supreno Ali Khamenei. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi designado como sucessor, mas não apareceu em público desde então, e acredita-se que tenha ficado ferido no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, no mesmo ataque que vitimou seu pai. — Desde o assassinato de Larijani, Qalibaf surgiu como o novo rosto público do esforço militar e diplomático da república islâmica — resumiu Farzan Sabet, do Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento. — Mas não se deve superestimar sua influência real; ele continua respondendo a instâncias superiores — acrescentou, citando a Guarda Revolucionária e o próprio Khamenei. Confira antes e depois da destruição em áreas do Irã 1 de 12 ANTES: Estruturas no quartel-general da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech 2 de 12 DEPOIS: em várias estruturas no quartel-general da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 ANTES: base de mísseis em Garmdarreh, a leste da cidade de Karaj — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech 4 de 12 DEPOIS: base de mísseis em Garmdarreh, a leste da cidade de Karaj — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech X de 12 Publicidade 5 de 12 ANTES: guarnição de Khorramabad e ao complexo de mísseis da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech 6 de 12 DEPOIS: consequências dos ataques aéreos à guarnição de Khorramabad e ao complexo de mísseis da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech X de 12 Publicidade 7 de 12 DEPOIS: consequências dos ataques aéreos à guarnição de Khorramabad e ao complexo de mísseis da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech 8 de 12 Impacto nas instalações de drones no Aeroporto de Chabahar, em Konarak — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech X de 12 Publicidade 9 de 12 Danos também em Konarak, no Aeroporto Internacional — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech 10 de 12 Base Naval de Konarak: navios destruídos e afundando, além de vários prédios alvejados — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech X de 12 Publicidade 11 de 12 ANTES: Sistema de radar, Base Aérea de Zahedan — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech 12 de 12 DEPOIS: Sistema de radar destruído, Base Aérea de Zahedan — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vantor Tech X de 12 Publicidade Registros divulgados pela empresa de monitoramento Vantor mostram a extensão dos danos em bairros de Teerã após dias de bombardeios, enquanto o número de mortos no Irã já chega a pelo menos 787. 'Negociador profissional' Embora a viagem a Islamabad tenha sido a primeira aparição pública de Qalibaf desde antes da guerra, suas publicações nas redes sociais têm sido quase diárias. Com declarações escritas num inglês americano impecável — o que levanta dúvidas sobre a autoria das mensagens, já que Qalibaf não é conhecido por falar inglês fluentemente —, Qalibaf não se furtou a ameaçar os americanos. Em resposta às ameaças de uma invasão terrestre dos EUA ao Irã, uma mensagem publicada em 1º de abril na X afirmava: “Se vocês vierem à nossa casa (...) encontrarão toda a família. Armada, preparada e disposta a tudo. Venham, estamos esperando.” Na última quinta-feira, ele advertiu que os Estados Unidos correriam o risco de cair em um “atoleiro sem fim” após o presidente americano Donald Trump ameaçar atingir o Irã “com muita força”. Segundo o jornal The Washington Post, Qaliaaf causou forte impressão na delegação americana após anos sem contato direto com um alto funcionário iraniano de primeira linha. “Ele impressionou a equipe americana como um negociador refinado e profissional, e como um potencial líder de um novo Irã”, segundo o jornal. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRAHIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países 'Ambicioso e oportunista' Sua experiência civil e militar o levou a comandar a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, braço de elite das forças armadas iranianas responsável pelo vasto arsenal de mísseis balísticos, drones e programa de satélites militares, a polícia, a prefeitura de Teerã e, posteriormente, o Parlamento. Em um sistema de poder ainda opaco, continua difícil saber se ele conta com a confiança da nova cúpula da Guarda Revolucionária, especialmente de seu comandante-chefe, Ahmad Vahidi, e do sucessor de Ali Larijani à frente do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohamad Baqer Zolqadr. Conhecido por sua ambição, Qalibaf concorreu várias vezes à presidência, como em 2005, quando disputou a eleição contra o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad. Organizações de direitos humanos atribuíram a ele um papel importante na repressão a protestos, desde as manifestações estudantis de 1999 até o movimento nacional de janeiro passado. — Ele se mostrou ambicioso e oportunista, mas também prudente, uma característica que lhe permitiu ascender ao topo da estrutura de poder sem ser expurgado, como aconteceu com tantos outros — concluiu Farzan Sabet.
'Ambicioso e oportunista': quem é Mohamad Baqer Qalibaf, o principal negociador do Irã no acordo com EUA
Presidente do Parlamento iraniano participou de repressão a protestos em seu país, advertiu Donald Trump de que entraria em um 'atoleiro' caso atacasse República Islâmica e causou forte impressão na delegação americana que negociou memorando













