O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) chega aos 65 anos, em 15 de junho deste ano, com carteira recorde de R$ 25,6 bilhões. No ano passado, a instituição fechou mais de R$ 5,6 bilhões em contratações de crédito para investimentos e capital de giro a empreendedores dos três estados acionistas – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná –, além do Mato Grosso do Sul, onde também atua. As operações corresponderam à manutenção ou geração de mais de 83 mil postos de trabalho. “Os números mostram a escala e a capilaridade do BRDE. O desempenho foi puxado por uma combinação de setores, com destaque para o agronegócio. Estamos em um momento relevante, porque consolidamos crescimento com diversificação da carteira e presença em diferentes segmentos da economia”, destaca o diretor-presidente, Renê Garcia Junior. Ele reforça que a atuação do banco vai além da oferta de crédito, para promover investimentos, inovação e geração de emprego e renda. “Nosso papel é financiar quem produz. O crédito é o instrumento, o objetivo maior é transformar projetos em desenvolvimento”, afirma. Da esquerda para a direita, os diretores do BRDE: Heraldo Alves das Neves, Renê Garcia Junior, Mauro Mariani e Leonardo Maranhão Busatto. — Foto: Divulgação Do crédito tradicional à nova economia Criado em 1961 para apoiar a industrialização, a modernização do campo, a ampliação de infraestrutura e de instrumentos de financiamento de longo prazo, o BRDE vem adaptando sua atuação às transformações da economia. “Hoje, as demandas são outras: produtividade, inovação, transição energética, sustentabilidade, competitividade internacional e desenvolvimento urbano”, lista. Para acompanhar e se adequar às mudanças globais e renovar a operação, a instituição afirma trabalhar na eficiência da gestão e na conexão com agendas emergentes, como economia criativa, crédito climático, energia renovável e estruturação de projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Leonardo Maranhão Busatto, diretor de planejamento, exemplifica com o BRDE Labs, programa de aceleração de startups. Por meio dessa iniciativa, a instituição conecta startups e empresas para resolver desafios reais de mercado. “Os impactos aparecem em áreas como agronegócio, indústria, saúde, comércio, serviços, sustentabilidade, cidades inteligentes e transformação digital”, diz. O BRDE também participa de fundos de investimentos do setor e programas para viabilizar o acesso de startups a outras modalidades de investimento privado, apoiando conhecimento, tecnologia e novos modelos de negócio. A agenda de sustentabilidade é apresentada como importante frente de atuação. Segundo Busatto, o banco financia projetos de energia renovável, eficiência energética, agricultura sustentável, inovação verde, infraestrutura resiliente e adaptação climática. O Fundo Verde e de Equidade, iniciativa própria que apoia projetos socioambientais, climáticos e de equidade, destina parte do lucro líquido para esse objetivo, a fundo perdido. De acordo com o executivo, o BRDE também busca ampliar sua atuação com funding climático, crédito verde, biodiversidade e novos instrumentos financeiros sustentáveis. “Para nós, sustentabilidade não é uma agenda paralela. É parte da competitividade econômica e do desenvolvimento de longo prazo”, aponta. O diretor administrativo, Heraldo Alves das Neves, afirma que o banco é pioneiro no Brasil na aquisição de uma nova classe de ativos: os créditos de biodiversidade. “Eles são instrumentos que remuneram iniciativas capazes de conservar, restaurar ou melhorar a biodiversidade, criando uma forma de reconhecer economicamente os serviços ambientais prestados por áreas protegidas e projetos de conservação”, explica. Capilaridade e gestão de risco O BRDE se posiciona como parceiro estratégico para o desenvolvimento da Região Sul, atendendo pessoas jurídicas de todos os portes, produtores rurais, cooperativas e municípios. Para garantir a abrangência, a atuação é estruturada em duas vertentes. A de Operações Diretas é voltada ao atendimento personalizado para grandes investimentos industriais, de infraestrutura e agronegócio. Já a vertical de Operações Indiretas é realizada por uma rede de parceiros, como cooperativas de crédito e associações comerciais, para chegar aos pequenos negócios e produtores rurais com agilidade. BRDE é pioneiro no Brasil na aquisição de uma nova classe de ativos: os créditos de biodiversidade. — Foto: Divulgação “Nosso critério central não é apenas o porte, mas a capacidade do investimento de apoiar quem produz e transformar vidas, gerando emprego, renda e produtividade com responsabilidade socioambiental”, ressalta Mauro Mariani, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Créditos. Segundo ele, o equilíbrio entre a missão de desenvolvimento e a segurança institucional é garantido por uma governança de riscos de excelência, que permite apoiar clientes com responsabilidade. “Isso é sustentado por três pilares fundamentais: análise multidisciplinar somada a um Sistema de Avaliação de Riscos Social, Ambiental e Climático (SARSAC); mitigação para Pequenos Negócios e Produtores, apoiado em fundos garantidores e operado via crédito indireto com parceiros; e solidez e sustentabilidade econômica, comprovada por uma taxa de inadimplência historicamente inferior à média do Sistema Financeiro Nacional”, lista. A solidez financeira é refletida nas classificações de risco atribuídas por agências internacionais, como AAA (bra), pela Fitch, e AA-.br, pela Moody’s, fator que contribui para reduzir o custo de captação e ampliar a oferta de financiamentos de longo prazo. “Dessa forma, o risco não é um obstáculo, mas um fator gerido tecnicamente para que o BRDE continue sendo o principal agente de fomento do Sul, com autonomia e autossustentabilidade financeira”, analisa Mariani. Digitalização e ganhos de eficiência A instituição vem passando por um processo contínuo de modernização. Um dos avanços importantes foi a implantação de uma esteira de atendimento 100% digital para tornar o relacionamento com os clientes mais ágil, eficiente e transparente, desde a entrada das demandas até o acompanhamento das operações. Há ainda o avanço na padronização da atuação regional descentralizada nos três estados do Sul, para garantir mais uniformidade, eficiência e qualidade no atendimento. Hoje, o banco já tem operações em mais de 95% dos municípios da região onde atua. “Outro destaque é a esteira de crédito simplificada, em fase piloto nas três agências. Na prática, trata-se de uma espécie de robô de crédito, voltado neste momento a operações com tíquetes entre R$ 50 mil e R$ 200 mil”, explica Neves. Além da modernização tecnológica e operacional, o banco também investe na gestão de pessoas, com medidas voltadas à valorização e retenção de talentos, capacitação e fortalecimento do ambiente interno. Agenda de futuro Para a direção da instituição, o papel dos bancos de desenvolvimento tende a crescer diante de desafios como transição energética, adaptação climática, modernização produtiva e necessidade de ampliar a competitividade da economia. “O BRDE dos próximos anos será cada vez mais estratégico para apoiar investimentos de longo prazo, inovação, sustentabilidade, infraestrutura e produtividade”, diz Garcia Junior. Ele reforça que, aos 65 anos, o BRDE tem uma história sólida e olha, principalmente, para o futuro. “O compromisso é seguir apoiando quem produz e transformando projetos em desenvolvimento, empregos, oportunidades e melhoria de vida”, conclui.