Pesquisa foi realizada depois de anúncio de novo tarifaço e da classificação de CV e PCC como organizações terroristas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca — Foto: KENT NISHIMURA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/06/2026 - 16:37 Imagem de Trump piora no Brasil após medidas polêmicas e críticas A pesquisa da Quaest revela que a imagem negativa de Donald Trump entre brasileiros aumentou de 39% para 45% em um mês, após anúncios de tarifaço e classificação de CV e PCC como terroristas. A avaliação negativa cresceu mais entre lulistas e esquerda não lulista. A opinião sobre os EUA também é desfavorável para 46% dos entrevistados. Lula busca diálogo com Trump no G7, sem reunião planejada. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A imagem negativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), avançou seis pontos percentuais junto ao eleitorado brasileiro em um mês. É o que revelam dados exclusivos da última pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta segunda-feira pelo GLOBO. A parcela que vê negativamente o americano passou de 39%, em maio, para 45%, este mês. O aumento ocorre após os anúncios da classificação de Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em 28 de maio, e da proposta de novo tarifaço contra o Brasil, em 2 de junho. Outros 27% hoje veem a imagem de Trump como “regular”. No mês anterior, esse percentual foi de 33%. Já os que a classificam como positiva se mantiveram em 22%. O avanço foi puxado principalmente pelos eleitores que se identificam como esquerda não lulista. Nesse grupo, a imagem negativa do presidente dos EUA saltou de 66% para 84%, índice que supera os 66% registrados entre os que se dizem lulistas. Entre os autoidentificados como independentes, o índice ficou estável — variou de 46% para 47%. Já na direita não bolsonarista e entre bolsonaristas, esse índice é menor — respectivamente, de 14% e 15%. No último grupo, houve avanço de três pontos percentuais na avaliação negativa de Trump frente a maio. A variação ocorreu em meio à tentativa e êxito da aproximação do grupo ligado a Jair Bolsonaro com o presidente americano. Nove dias antes do início da pesquisa, Flávio Bolsonaro esteve com Trump na Casa Branca. Como mostrou O GLOBO no dia seguinte, porém, a visita mobilizou apoiadores no Brasil, mas teve o impacto neutro na percepção sobre a campanha presidencial nas redes sociais. Segundo dados da consultoria Arquimedes, o encontro mobilizou cerca de 250 mil publicações nas redes sociais até a tarde seguinte e envolveu 55 mil perfis. Desse total, cerca de 46% das publicações foram neutras, enquanto as citações negativas representaram 29%. Já as citações positivas somaram 25% e foram referentes a postagens feitas por aliados do senador, muitas em tom de comemoração. A Quaest também perguntou aos entrevistados se eles têm uma opinião “favorável ou desfavorável sobre os Estados Unidos”. Ao todo, 46% responderam que a visão é desfavorável e 39%, como favorável. No levantamento de maio, os índices foram de 45% e 40%, respectivamente. Apesar do viés mais negativo entre os brasileiros, 46% dos ouvidos defendem que a relação que Lula deveria ter com Trump é de “aliado”. Outros 31% dizem que ela deve ser “independente”. Apenas 9% dizem que deveria ser de “opositor” — no mês passado, eram 6%. Lula embarcou ontem para a França, onde vai participar da reunião de líderes dos países do G7. Como mostrou O GLOBO, não há perspectiva concreta de encontro de Lula com Trump, mas o petista usará sua participação no evento para marcar posição contra a possibilidade de implantação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. De acordo com integrantes do governo, não houve pedido de uma reunião com o americano, mas isso não significa que os dois chefes de Estado não possam conversar casualmente durante a cúpula. A Quaest também quis saber se os brasileiros têm medo de uma “intervenção ou interferência” dos Estados Unidos ou se acham essa preocupação exagerada: 51% afirmaram ter medo, ante 40% que veem exagero. A pesquisa fez 2.004 entrevistas entre 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. O nível de confiança do levantamento é de 95%.