Quem preserva suas tradições nunca está só. Mestre Chico dizia que quando cantava, seus ancestrais cantavam com ele. O mesmo se repetia ao dançar, tocar, lutar, falar e utilizar outras tantas expressões de sua negritude.
Tinha sede de conhecimento desde menino, nascido em Pelotas, cidade-berço da cultura afro-gaúcha. Lá, aprendeu a construir o tambor de sopapo, instrumento de couro criado por negros escravizados nas fazendas de charque do século 19.
Foi um "griô", um sábio que buscava conhecer, resgatar, preservar e ensinar, assim como uma referência no movimento negro brasileiro. Costumeiramente, era descrito como calmo, carinhoso e que não se esquecia de ninguém.
"Era uma pessoa muito querida por todos. Onde passava, deixava sua sensibilidade", conta Mestre Paula, sua companheira de décadas.
Autodidata, Mestre Chico falava iorubá, quimbundo e lingala. Também se expressava por meio do artesanato, da capoeira, do samba de roda e de cantos tradicionais, além de lutar kung-fu.









