A seleção de futebol do Brasil enfrenta na sua estreia na Copa do Mundo 2026 o time de Marrocos, que é conhecido pelos seus torcedores como os Leões de Atlas. O apelido faz referência ao animal símbolo do país, que ao longo da história foi visto como uma representação de lealdade e coragem. O Leão de Atlas também é conhecido como Leão-da-Barbária e é considerado a maior subespécie de leões que já existiu. Eles são animais imponentes e com uma juba densa e escura, que os protegia do clima frio e montanhoso das cordilheiras do Atlas, no norte da África. Devido ao seu tamanho, era comum que o animal fosse usado em jogos de gladiadores e execuções na época do Império Romano. Atualmente, a espécie é classificada como “extinta na natureza” e há décadas não existem relatos de que ela tenha sido vista livre em seu habitat natural. Ainda assim, alguns leões de Atlas vivem em cativeiro no Marrocos. Relação com Marrocos Antigamente, as tribos marroquinas costumavam caçar os leões de Atlas para presentear o sultão como forma de renovar a sua aliança e como símbolo de lealdade e fidelidade. Do mesmo jeito, o sultão tinha como costume entregar esses leões como presentes para reis e líderes de nações aliadas, como um símbolo de amizade, segundo o governo marroquino. Há relatos de que, em 1235, o sultão Almohad Muhammad al-Nasser entregou três leões de Atlas ao Jardim Real, em Londres, e em 1839 o sultão Alawite Abd al-Rahman bin Hisham presenteou um leão e uma leoa ao presidente dos Estados Unidos, Martin Van Buren, diz o governo de Marrocos. Depois da independência do país em 1956, quando a França encerrou o seu protetorado, o Marrocos escolheu incluir os leões no brasão do seu reino como símbolo de coragem. Brasão do Reino de Marrocos — Foto: Reino de Marrocos Relação com o futebol A escolha do animal como símbolo da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) destaca a ligação entre a força e o orgulho dos jogadores e a história do país. A partir da década de 1970, a seleção de Marrocos começou a ganhar projeção internacional, ao se tornar o segundo time africano da história a participar de uma Copa do Mundo em 1970 e ao ganhar a Copa Africana de Nações pela primeira vez em 1976. A partir de então, o apelido de “leões e leoas de Atlas” para as seleções feminina e masculina do país foi se popularizando e se tornou parte da comunicação da Federação. A referência se consolidou no cenário internacional na Copa de 2022, quando Marrocos se tornou a primeira seleção africana a chegar a uma semifinal do campeonato. O resultado positivo obtido na última Copa fez com que Escritório Nacional de Turismo de Marrocos lançasse uma campanha de agradecimento à seleção de futebol por ter trazido tanto prestígio ao reino. A peça publicitária trazia a imagem de um leão de Atlas com o slogan “Obrigado por fazer o Marrocos brilhar”. Como é um Leão de Atlas? Originalmente, eles habitavam o norte da África, na região conhecida como Magrebe, onde ficam os países Argélia, Líbia, Marrocos, Mauritânia e Tunísia. De acordo um vídeo publicado no canal institucional de comunicação do governo marroquino, o declínio da população dos leões de Atlas começou durante a ocupação francesa do país, iniciada em 1912, quando começou uma caça indiscriminada do animal, em busca da sua pele, que era levada como produto para a Europa. Isso fez com que a população do grande felino reduzisse significativamente na natureza, enquanto alguns ainda eram mantidos em cativeiro no Dar-al-Makhzen, o Palácio Real de Rabat, capital de Marrocos. Leão e leoa de Atlas no zoológico Walter, em Gossau, na Suíça, em 2018 — Foto: Wikimdia Communs Nos anos 1970, todos os leões de Atlas vivos foram transferidos para o Parque Nacional, como uma forma de evitar a sua extinção, afirma o governo marroquino. Atualmente, há quase 200 animais vivos e é possível vê-los nos zoológicos de Rabat, Hannover (Alemanha) e Midbarium (Israel), por exemplo.