O Marrocos costuma surpreender. Não, não estamos falando da seleção nacional de futebol, adversária do Brasil na estreia da Copa do Mundo de 2026, neste sábado, 13 e junho. E sim do país do enquanto destino turístico. Engana-se que esta monarquia no norte da África, com sua combinação de culturas árabes e berberes, se resume a caravanas de dromedários no Deserto do Saara, mercados labirínticos com encantadores de serpentes e belas mesquitas. Isso tudo existe, mas os atrativos vão bem além. Para exemplificar, listamos sete cidades que merecem a atenção do viajante: A maior cidade do Marrocos, com cerca de 4 milhões de habitantes, Casablanca é uma metrópole vibrante às margens do Atlântico. Por ter principal aeroporto do país (que recebe, inclusive, voos diretos a partir de São Paulo, operados pela Royal Air Maroc), Casablanca é o ponto ideal para começar uma viagem pelo território marroquino. Mas não sem antes explorar alguns de seus atrativos mais importantes, como a imponente Mesquita Hassan II, projetada para acomodar 105 mil fiéis (25 mil só na área interna). Ela se projeta em direção ao mar, e tem até parte do piso feito de vidro, para que se possa observar o mar. Seu minarete, de 210 metros de altura, se destaca no horizonte. A cidade guarda outros tesouros que merecem ser explorados. No Bairro Art Déco, especialmente pelas avenida Mohammed V e Hassan II, há uma ampla coleção de prédios do início do século XX, que adicionam um tempero marroquino ao célebre estilo arquitetônico nascido na França. E para caminhadas à beira-mar, nenhum lugar é melhor que o calçadão Corniche. 2 - Marrakech Vista das barraquinhas na medina de Marrakech, no Marrocos — Foto: Reprodução/Calin Stan/Unsplash Apelidada de "cidade vermelha", por conta da cor da argila usada em suas construções mais antigas, Marrakech é uma das cidades imperiais do país. Fundada em 1070 e com um papel central nas rotas comerciais berberes, ela se tornou tão importante que acabou ajudando a batizar o próprio país em diversos idiomas - sim, Marrocos vem de Marrakech. O coração da cidade é a praça Jemaa el-Fnaa, que, funciona como um mercado a céu aberto dia e noite, com tudo o que se pode imaginar, de barracas de frutas a artistas de rua e encantadores de serpentes. Outro destaque da medina, a cidade antiga, é a Mesquita Koutoubia, cujo minarete de 77 metros serve de referência para quem circula pela região. Vale destacar também o Palácio Bahia, do século XIX, com pátios ricamente decorados com mosaicos, fontes e jardins, e a Madraça Ben Youssef, antiga escola islâmica com bela arquitetura e azulejos. A cidade também pode ser base para excursões a destinos mais distantes, como a cidade de Ouzoud, na Cordilheira de Atlas, onde ficam as maiores cachoeiras do país, ou um roteiro cinematográfico pela cidade histórica de Aït-Ben-Haddou, que serviu de locação para filmes como "Gladiador" e "Lawrence da Arábia", e episódios de "Game of thrones", e por Ouarzazate, cidade que abriga os Estúdios Atlas, onde foram rodadas diversas produções internacionais. 3 - Chefchaouen Beco em Chefchaouen, cidade no Marrocos conhecida por seus muros e casas pintados de azul — Foto: Reprodução/Milad Alizadeh/Unsplash Já Chefchaouen, fundada nos anos 1470 como uma pequena fortaleza para barrar a invasão portuguesa, é a "cidade azul" do Marrocos, com seu labirinto de ruas estreitas repletas de casas pintadas de azul. A tradição de pintar as fachadas dessa cor teria começado com os judeus e mouros expulsos da Península Ibérica no século XVIII, que encontraram na cidade, encravada na região montanhosa de Rife, um abrigo. A história da cidade está contada no museu instalado na antiga Kasbah (fortaleza). Sem saber, esses refugiados acabaram criando um cenário difícil de esquecer e que, séculos depois, começou a fazer muito sucesso nas redes sociais. Os pontos mais procurados para fotos são a rua Sidi Buchuka, as praças El Asri e Uta el-Hammam e a chamada Mesquita Espanhola, com um visual para o vale, ótimo lugar para observar o pôr do sol. Mas vale a pena caminhar sem destino certo pela "medina azul". 4 - Fez Tanques tradicionais no curtume de Chouara, uma das atrações de Fez, no Marrocos — Foto: Reprodução/fotografu/Unsplash Fundadas no século VIII no norte do território, Fez foi a primeira capital imperial do Marrocos e até hoje é considerada o principal centro espiritual e cultural do país. É nesta cidade que funciona, por exemplo, a Universidade Al Quaraouiyine, aberta em 859, considerada pela Unesco como a instituição de ensino superior mais antiga do mundo ainda em funcionamento. E também a Madraça Bou Inania, importante escola islâmica, uma das mais antigas do mundo, e que permite a visita de não muçulmanos. Seus atrativos mais populares entre os viajantes, no entanto, são outros. O curtume de Chouara impacta tanto pelo visual, com os tanques com colorações variadas, quanto pelo cheiro fortíssimo dos produtos tradicionais usados no tratamento do couro (há até um amaciante natural a base de urina de camelo e fezes de pombo). Já Fez el-Bali é a cidade antiga (medina), um conjunto com mais de nove mil ruas e vielas medievais tombado pela Unesco e que é considerada a maior área urbana no mundo sem automóveis. Fez também é um ponto de partida para conhecer a zona arqueológica de Volubilis, uma antiga cidade berbere no interior do Marrocos que se tornou posto avançado do Império Romano no século I. As ruínas do Arco de Caracala, da Basílica, do Capitólio e de casas que preservam mosaicos romanos originais no chão estão entre os destaques. 5 - Essaouira As muralhas a beira-mar de Essaouira, no Marrocos — Foto: Reprodução/Maciej Cisowski/Pexels Afastada cerca de 2h30 de Marrakech e banhada pelo Atlântico, Essaouira é um popular destino litorâneo para os marroquinos, com um estilo mais boêmio e praiano, que atrai jovens, artistas e praticantes de esportes como surfe e windsurfe. Foi fundada por Portugal, que a batizou de Morgador e construiu ali uma fortaleza no século XVI, ajudando a estabelecer o lugar como um dos principais portos da região por séculos. A muralha original foi reforçada pelos espanhóis nos séculos seguintes e os trechos remanescentes (Skala de la Ville), são bastante procurados por visitantes e moradores para observar o fim de tarde de frente para o mar e o movimento dos pescadores. Já a medina atual, com um incomum traçado geométrico, foi projetada por arquitetos franceses no século XVIII e também está na lista de patrimônios da Unesco. 6 - Rabat Mausoléu de Mohammed V, uma das atrações de Rabat, a capital do Marrocos — Foto: Reprodução/MAG Photography/Pexels Desde 1912 (quando o país ainda era um protetorado da França), Rabat é a capital política do Marrocos, mas sua história vem do século XII, quando foi fundada pelo califado Almóada como uma fortaleza (ribat) no encontro do Rio Bou Regreg com o oceano Atlântico. Apesar desse longo histórico, a Rabat contemporânea é uma cidade mais organizada que Marrakech e Casablanca, com avenidas largas, jardins amplos e um ritmo bem menos frenético. Entre os principais atrativos está a Kasbah dos Udaias, uma cidadela murada com ruelas pintadas de branco e azul e um lindo visual para a foz do Bou Regreg. Outros cartões-postais são a Torre Hassan, com 44 metros de altura, e as colunas de pedra que cercam o imponente Mausoléu de Mohammed V, construído com mármore branco e que preserva os túmulos dos reis marroquinos da atual dinastia. E há ainda a Marina de Rabat, ótimo lugar para comer pratos de frutos do mar e contratar passeios de barco pela região. 7 - Merzouga Passeio com dromedários nas dunas de Erg Chebbi, em Marzouga, na região do Deserto do Saara, no Marrocos — Foto: Reprodução/Emre Koşak/Pexels Atravessar dunas montado num dromedário (não confundir com camelos, que existem apenas na Ásia), dormir em tendas sob as estrelas e ouvir histórias das caravanas berberes são algumas das experiências que representam uma viagem à região do Saara. E elas são oferecidas empresas que atuam a partir de Merzouga, um vilarejo perto da fronteira com a Argélia. A atração mais conhecida é Erg Chebbi, uma área com dunas que podem chegar a 150 metros de altura, e onde funcionam diversos acampamentos, dos mais simples aos mais luxuosos. Merzouga também fica relativamente próxima de Tinghir, cidade que serve de base para visitar as Gargantas de Todra e Dades, cânions profundos que cortam a Cordilheira do Atlas. Cheia de curvas sinuosas cercadas por paredões rochosos, a Estrada do Dades é um cartão-postal por si só.
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