Além do hexa, bairro cercado pela Baía de Guanabara onde nasceu e cresceu o meia da seleção brasileira sonha em torna-se Patrimônio Mundial da Unesco. Clima de tranquilidade é o principal trunfo para conquistar o reconhecimento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Na foto, moradores são vistos pedalando uma bicicleta em uma rua enfeitada para a Copa do Mundo, na Ilha de Paquetá — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 21:53 Ilha de Paquetá busca título de Patrimônio Mundial da Unesco A Ilha de Paquetá, localizada na Baía de Guanabara, busca reconhecimento como Patrimônio Mundial da Unesco. Conhecida pela tranquilidade e história, a ilha enfrenta desafios como infraestrutura precária e transporte limitado. Apesar disso, atrai turistas por suas belezas naturais e eventos culturais. A comunidade espera que melhorias sejam implementadas para fortalecer sua candidatura ao título. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Entre os mais de 200 milhões de brasileiros que começam a torcer hoje pelo hexa, há 3,5 mil moradores de um pequeno bairro do Rio que se preparam para entrar em outra competição mundial. Na Ilha de Paquetá, onde o meia brasileiro Lucas Paquetá nasceu e foi criado, a torcida vai além das quatro linhas do campo de futebol: a comunidade se mobiliza para conquistar o título de Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco, concedido a lugares com “valor universal excepcional”. Banhada pelas águas da Guanabara, Paquetá é um cantinho do Rio que parece ter parado no tempo. Em 1,2 quilômetro quadrado, a vida caminha no ritmo das bicicletas. O legado do pintor e paisagista Pedro Bruno (1888–1949) pode ser visto na praça da ilha e em sua antiga casa, que virou centro cultural. O bairro guarda ainda parte da história do país no Solar Del Rey, que serviu de residência de verão de Dom João VI e pertenceu ao negociante de escravizados Francisco Gonçalves da Fonseca. Mesmo sendo uma Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) desde 1999, Paquetá tem obstáculos para conquistar o título da Unesco. A casa de Dom João, que deveria ser uma biblioteca pública, está fechada desde 2009. Quem mora na ilha convive com buracos nas ruas e desmoronamentos nas margens junto à baía. A Associação de Moradores de Paquetá (Morena) espera das autoridades apoio para o bairro fazer bonito na disputa. — Estamos sempre com o pires na mão. Precisamos retomar nossa autoestima. Aqui não é só um lugar bonito e calmo. Para efetivamente conseguir ser candidata, há muitas melhorias que precisam ser feitas e que seriam muito benéficas — diz Denise Viola, uma das diretoras da entidade. Menos poluição do ar Na foto, bicicletas estacionadas em frente ao bar Galetinho da Ilha, em Paquetá — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo Charmosa, Paquetá tem em suas ruas de terra batida uma virtude, e não um problema decorrente da falta de asfalto. Por lá, veículos a combustão são proibidos — à exceção dos menos de 20 carros de serviço, como ambulâncias e viaturas. Sem trânsito e buzinas, o transporte é feito por bicicletas, triciclos e carrinhos de golfe licenciados pela prefeitura, os “táxis” que substituíram as charretes com animais há dez anos. Mas a invasão de bicicletas elétricas e ciclomotores tem tirado o sossego dos moradores. O motor da economia local é o turismo. Os moradores mais antigos contam que, após a construção da Ponte Rio-Niterói (na década de 70), cariocas passaram a buscar mais a Região dos Lagos. Nos últimos anos, no entanto, a ilha vem sendo redescoberta pelo visitante atraído por águas mais limpas da baía e um calendário recheado de eventos. Este ano, já estão previstas 12 festas juninas e julinas. Ontem, Dia dos Namorados, as pousadas estavam com as reservas esgotadas. Sócio do Tia Leleta, um dos mais tradicionais restaurantes da ilha, Gabriel Gitsin, de 62 anos, também aposta na Copa do Mundo para atrair turistas. Amigo da família de Lucas Paquetá, ele torce para que o meia do Flamengo espalhe o nome da ilha pelo mundo: já decorou parte da rua com bandeirinhas verdes e amarelas e irá exibir os jogos no estabelecimento. TJRJ adere a acordo nacional para ampliar capacitação de detentos e egressos do sistema prisional — Todos nós queremos o hexa. O nome da nossa ilha está lá. Estamos torcendo forte por ele. Todo jogo do Brasil vai ter um evento aqui com música — anunciou. A contradição é que, apesar do histórico ligado ao turismo, ainda falta estrutura para receber os visitantes. Uma das principais atrações turísticas locais é o Parque Darke de Mattos, com árvores centenárias, jardins, trilhas e mirantes. O lugar seria perfeito para piqueniques se os dois únicos banheiros públicos da ilha, que ficam na entrada do parque, não estivessem fechados há anos. Guia turístico, Plínio Amaro conta que seus clientes sempre elogiam o clima e as belezas naturais, mas reclamam dessa falta de infraestrutura: — Precisa ter um banheiro público no Darke de Mattos. Outro gargalo histórico é o transporte entre a ilha e o continente. Há duas maneiras de chegar a Paquetá: por barcos que partem de Itaoca, em São Gonçalo, ou pelas barcas que saem da Praça Quinze, no centro do Rio. Com a recente troca da concessionária pelo governo do estado, a grade de horários da Praça Quinze ganhou mais uma viagem, mas usuários ainda se queixam das condições das embarcações e dos atrasos. Sem roubos de celular Na foto, moradores na praça Pintor Pedro Bruno em Paquetá — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo Outro atrativo da ilha é a segurança. As dezenas de bicicletas espalhadas pelas ruas sem qualquer cadeado contrastam com as 4.662 furtadas no Estado do Rio em 2025. Os dados do Mapa do Crime do GLOBO mostram que no ano passado também não houve registro de roubos de celular no bairro. — Quando me mudei definitivamente para a ilha, diziam-me que eu não iria me acostumar. Mas é fácil se acostumar com coisas boas. Aqui é um dos poucos bairros em que ainda há forte tradição da festa de São Cosme e Damião, por exemplo. As crianças vão batendo de porta em porta e ninguém tem medo de abrir. Onde mais há isso no Rio? — pergunta Taís Mendes, de 63 anos. Comerciantes e moradores sabem que a despoluição das praias é o ponto mais sensível para revitalizar a ilha. Dados do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) mostram que este ano todas as praias analisadas tiveram momentos de banho liberado. Mas nem sempre o mergulho está recomendado, principalmente após as chuvas. A concessionária Águas do Rio informou que universalizou a coleta e o tratamento de esgoto em Paquetá em 2023. Segundo a empresa, essas obras contribuíram para a “melhoria da balneabilidade das praias” da ilha. Até 2033, diz, investirá mais R$ 2,7 bilhões no saneamento nas cidades no entorno da Baía de Guanabara. A prefeitura afirmou que usou mais de cinco mil metros quadrados de ensaibramento para tapar buracos nas ruas este ano e que está fazendo uma licitação para contratar a empresa que fará melhorias e manutenção no Darke de Mattos. Sobre o Solar Del Rey, a Secretaria municipal de Cultura afirmou ter investido R$ 1,6 milhão na primeira etapa da reforma. A segunda fase de obras deve começar no ano que vem. A Secretaria estadual de Transporte e o Consórcio Barcas Rio informaram que a linha entre a Praça Quinze e Paquetá “opera com elevados índices de eficiência”, cumprindo “99,9% da programação”. Acrescentou que “a qualidade e a manutenção da frota são constantemente monitoradas, o que resultou, inclusive, em elogios formais dos usuários na Ouvidoria”.
As esperanças de Paquetá: a ilha da Baía de Guanabara que sonha com o título de Patrimônio da Humanidade
Além do hexa, bairro cercado pela Baía de Guanabara onde nasceu e cresceu o meia da seleção brasileira sonha em torna-se Patrimônio Mundial da Unesco. Clima de tranquilidade é o principal trunfo para conquistar o reconhecimento
Paquetá, ilha na Baía de Guanabara com 3,5 mil moradores (terra natal do meia Lucas Paquetá), candidata-se a Patrimônio da Humanidade Unesco, apoiada em tranquilidade e segurança (zero roubos de celular em 2025). Investimento em infraestrutura turística e governance urbana inteligente representa oportunidade de smart city.







