Num ambiente eleitoral em que as plataformas podem ser punidas por omissão, elas tenderão, em caso de dúvida, a remover mais, e não menos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 18:15 Desinformação na campanha de Janones desafia plataformas digitais A campanha eleitoral de Janones ilustra o impacto da desinformação e levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas digitais. Com o risco de punições por omissão, essas plataformas podem adotar uma postura mais rigorosa, optando por remover conteúdos questionáveis ao invés de mantê-los. Essa tendência pode influenciar o controle de informações durante processos eleitorais futuros. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO ‘Antes, eu dizia que valia quase tudo. Hoje, vale tudo para salvar a democracia’, disse o deputado André Janones (Rede-MG) ao explicar em encontro do PT até onde estava disposto a ir como operador digital da campanha do presidente Lula. É uma frase extraordinária. No evento, Janones falava na condição de palestrante que atuou como ponta de lança digital na campanha que elegeu Lula em 2022 e agora se prepara para reassumir o posto. Com orgulho incontido, relatou como, em duas ocasiões, usou sua técnica de “desviar o foco” e “criar versão dos fatos”, que nega equivaler à mentira. Exemplos: inventou que o candidato Jair Bolsonaro, se eleito, poderia nomear o ex-presidente Fernando Collor ministro; e, às vésperas de um debate, para desestabilizar o oponente de Lula, espalhou ter tido acesso a conteúdo explosivo do celular do falecido ex-ministro Gustavo Bebianno. “Estou me lixando de falarem que é de baixo nível”, completou. A contar pela falta de cerimônia do discurso — e pela ausência de protestos na plateia petista —, não será pouco o “tudo” que Janones promete fazer neste ano para “salvar a democracia”. Estará à altura de sua nêmesis, o também deputado, influenciador e especialista em espertezas digitais Nikolas Ferreira (PL-MG), que em 2025 surfou na mentira de que o governo do PT poderia futuramente taxar o Pix. À parte o festival de finezas, sugere a fala de Janones, a que os brasileiros deverão assistir nesta eleição, sua frase lapidar mostrou como a plasticidade do conceito de desinformação pode fazer com que sirva a diferentes e até antagônicas funções. O combate às fake news é necessário para salvar a democracia? Pois seu uso também pode ser, informou o deputado. No Brasil, fake news deixou há muito de designar apenas uma mentira espalhada em massa para virar uma categoria moralmente prestigiosa a justificar medidas excepcionais. O Inquérito das Fake News, aberto de ofício e depois de sete anos ainda vivo, é um monumento a essa exceção permanente. A situação tende a piorar neste ano eleitoral. Por lei, a contenção das fake news nas redes se dará em três instâncias. A detecção inicial dos conteúdos ilícitos — por falsidade, manipulação, descontextualização — caberá, em grande parte, às plataformas. Executivos e moderadores de empresas como X, YouTube e TikTok decidirão se determinado material deve ficar no ar, ser reduzido em alcance ou removido. O Tribunal Superior Eleitoral também pode determinar a remoção de conteúdo que, pelos mesmos motivos, considere passível de “afetar o equilíbrio da eleição ou a integridade do processo eleitoral”. A ANPD, vinculada ao Ministério da Justiça, não tem competência para dizer se este ou aquele post é falso. Seu papel, pelo Decreto 12.975/2026, assinado por Lula, será fiscalizar se as plataformas cumprem suas obrigações. Se a distinção parece tranquilizadora, engana-se o leitor. Num ambiente eleitoral em que as plataformas sabem poder ser punidas por omissão, elas tenderão, em caso de dúvida, a remover mais, e não menos. O governo não precisa ser oficialmente o Ministério da Verdade para influenciar o ecossistema das redes. Basta criar os incentivos para que outros — por cautela ou conveniência — façam o trabalho censório e seletivo. É nesse ambiente, em que fake news podem justificar providências e controles extraordinários, que a concepção maximalista da liberdade de expressão passa a fazer sentido — resguardados, obviamente, os crimes previstos em lei. Fake news são perniciosas, mas o custo de dar ao Estado, ao Judiciário ou às plataformas a prerrogativa de calar ideias que consideram falsas ou distorcidas pode ser mais perigoso que o dano que se pretende evitar. Janones ensinou a lição: na política e nas eleições, o mesmo expediente pode ser crime ou virtude — é só uma questão de ponto de vista.
Quem vigia os fiscais de fake news?
Num ambiente eleitoral em que as plataformas podem ser punidas por omissão, elas tenderão, em caso de dúvida, a remover mais, e não menos
André Janones usa "desviar foco" e "criar versões dos fatos" como tática de desinformação em campanhas eleitorais. Plataformas removem mais conteúdo por cautela em ambientes eleitorais, permitindo influência estatal sobre governance de moderação sem censura oficial.












