Os holofotes do futebol mundial se voltaram para Los Angeles nesta sexta-feira, com os organizadores esperando que o entusiasmo pela primeira Copa do Mundo realizada em solo americano desde os anos 1990 supere as preocupações com os preços dos ingressos e os vistos de entrada, que ofuscaram grande parte da preparação para o torneio. Os coanfitriões México deram início à festa na quinta-feira, enquanto Toronto recebeu os torcedores para a primeira partida do Canadá na tarde desta sexta-feira. Agora é a vez dos Estados Unidos, com uma cerimônia de abertura no Estádio SoFi que contará com a participação da estrela pop Katy Perry às 20h30 de Brasília, seguida pela estreia da seleção americana contra o Paraguai. O futebol continua sendo um esporte relativamente minoritário nos EUA, com cerca de um terço dos americanos afirmando em pesquisas que pretendiam assistir à Copa do Mundo, percentual bem inferior ao observado em muitos outros países participantes. O foco esportivo da última semana esteve voltado para a campanha dramática do New York Knicks nas finais da NBA, com a equipe a apenas uma vitória de encerrar um jejum de cinco décadas sem títulos. Mas a febre do futebol também está crescendo, especialmente com a chegada de torcedores de todo o mundo. O centro de Manhattan ficou tomado por cores na quinta e na sexta-feira, enquanto fãs dos Knicks vestindo camisas azul-marinho se misturavam amigavelmente a torcedores brasileiros de amarelo tocando tambores e a mexicanos de verde-jade comemorando a primeira vitória da Copa do Mundo. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani — usando um colete dos Knicks sob o paletó — incentivou os nova-iorquinos a participarem dos festivais de torcedores e das exibições públicas de futebol que acontecem pela cidade. “Quando celebramos a Copa do Mundo, estamos celebrando um esporte da classe trabalhadora e as pessoas trabalhadoras que o praticam”, disse Mamdani, fã de longa data do campeão da Premier League inglesa, Arsenal. “É uma rara ocasião que reúne o mundo.” Preocupações Em Boston, torcedores escoceses divertiram os vizinhos próximos ao Airbnb onde estavam hospedados com uma apresentação matinal de gaita de foles, informou a NBC10 Boston. Já em Los Angeles, o torcedor americano Chris Powers e dois companheiros usaram cartolas e coletes decorados com as estrelas e listras da bandeira dos EUA. “É incrível”, disse Powers. “Há 32 anos eu era um grande fã de ver todos os jogos sendo disputados na América. É maravilhoso ver tudo voltar para nossas terras.” A preparação para o chute inicial desta sexta-feira foi marcada por diversas preocupações, incluindo a emissão de vistos sob a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que adotou uma postura rígida em relação à imigração. Alguns torcedores manifestaram indignação ou hesitação em viajar para os EUA após meses de notícias sobre proibições e restrições de entrada, e um árbitro somali foi impedido de ingressar no país esta semana. Muitos torcedores afirmam que os custos para acompanhar o torneio se tornaram proibitivos, com os preços dos ingressos e das viagens disparando. O dilema sobre como acomodar a seleção iraniana após os ataques lançados pelos EUA e por Israel contra o Irã em fevereiro acabou resultando em um plano pelo qual a equipe treinaria no México e atravessaria a fronteira para os EUA apenas para disputar suas partidas. Ainda não está claro o que acontecerá em Seattle em 26 de junho, quando o Irã enfrentará o Egito em uma partida que os organizadores locais classificaram como um “Jogo do Orgulho LGBT”, designação à qual as federações de futebol dos dois países se opuseram veementemente. Também houve preocupações com o calor do verão americano. Benjamin Fretes, torcedor do Paraguai, do lado de fora do ensolarado estádio de Los Angeles antes da partida desta sexta-feira, admitiu que sua experiência havia sido “um pouco estranha”. Segundo ele, os moradores locais que encontrou pareciam não conhecer nem o futebol nem o Paraguai. Ainda assim, estava animado. “É ótimo”, afirmou. “Uma experiência realmente muito boa.”
EUA estreiam na Copa em meio a críticas por vistos negados e ingressos
Futebol ainda é um esporte minoritário nos EUA, mas está crescendo; abertura e primeiro jogo no país acontecem em Los Angeles
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