O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, fez uma série de pedidos incomuns ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição. A defesa do senador pediu que Moraes determine a oitiva de Lula e da opositora venezuelana María Corina Machado; a expedição de ofício a um tribunal dos Estados Unidos para que seja compartilhada a cópia integral do inquérito e da ação que tramitam naquele país contra Nicolás Maduro; os depoimentos dados por Maduro; e que sejam ouvidos um procurador americano, o ex-deputado Deltan Dallagnol e o senador Sergio Moro (PL-PR). O inquérito foi aberto por ordem de Moraes em abril deste ano, depois de a Polícia Federal (PF) enviar uma representação ao Supremo. Segundo o documento, após a captura de Maduro no início do ano, Flávio fez publicações associando Lula e o então presidente venezuelano aos crimes de tráfico internacional de drogas, terrorismo e fraude eleitoral. “A negativa de realização das diligências requeridas configura violação ao direito constitucional do senador Flávio Bolsonaro ao contraditório e à ampla defesa”, dizem os advogados do pré-candidato no pedido encaminhado a Moraes. A defesa é feita por Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro. Os advogados afirmam que o objetivo das diligências é produzir, ainda na fase de inquérito, “elementos indiciários destinados a demonstrar a atipicidade da conduta” e evitar que haja denúncia. A defesa do senador já havia solicitado as diligências para a PF, mas o delegado responsável pelo caso entendeu que elas eram “absolutamente inócuas em relação ao resultado do inquérito” e com caráter “meramente protelatório”. Segundo a PF, na mensagem publicada no X, Flávio pode ter caluniado Lula ao associá-lo a crimes. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, dizia a publicação do senador”, diz a publicação. Na representação enviada ao Supremo, a PF argumenta que Flávio fez uma “clara menção ao instituto da colaboração premiada”, além de mencionar a prática de crimes, o que poderia configurar o crime de calúnia. Senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Flávio envia lista de pedidos a Moraes para se defender de suspeita de calúnia contra Lula
Senador é alvo de inquérito por associar presidente e Nicolás Maduro a tráfico de drogas












