Casos recentes com prejuízos de até R$ 300 mil reforçam campanha Junho Violeta, que promove ações de conscientização e prevenção em todo o estado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos realizou palestra com idosos em Arauama — Foto: Divulgação | SEDSODH-RJ RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 19:19 Rio de Janeiro Intensifica Junho Violeta contra Fraudes a Idosos O Rio de Janeiro intensifica ações do Junho Violeta para combater violência e golpes contra idosos, após casos com perdas de até R$ 300 mil. A campanha visa conscientizar e prevenir agressões e fraudes financeiras, com apoio da Polícia Militar e Secretaria de Desenvolvimento Social. Ações incluem palestras e uso de tecnologias para capacitar idosos a reconhecer e evitar golpes, além de estimular a troca afetiva entre eles. Denúncias podem ser feitas pelo 190, 190RJ ou Disque 100. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nesta terça-feira, policiais do Programa Segurança Presente prenderam um homem acusado de agredir uma mulher de 73 anos no Leblon, Zona Sul do Rio. O atendimento contou com apoio de assistentes sociais, responsáveis pelo acolhimento da vítima e pelo encaminhamento à rede de proteção. Este é apenas um exemplo recente dos impactos negativos da vulnerabilidade de pessoas idosas, que tem levado à intensificação de ações sociais voltadas para esta parcela da população. Durante o Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa, a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem reforçado a importância da atuação integrada entre sociedade e poder público para a proteção e garantia dos direitos dessa população, orientando que casos de agressão, negligência, abandono ou qualquer outra forma de violência contra a pessoa idosa sejam denunciados pelo telefone 190 ou pelo aplicativo 190RJ, além do canal Disque 100, disponível 24 horas por dia para o recebimento de denúncias de violações de direitos humanos. Além de violências físicas, a suscetibilidade a golpes virtuais e fraudes financeiras também preocupa o estado do Rio. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro intensificou as ações do Junho Violeta em diversas cidades, promovendo capacitação técnica e a realização de pesquisas diretamente com esse público, identificando vulnerabilidades e desafios enfrentados no cotidiano. "Espaço de reflexão e troca", diz Loana Saldanha, superintendente de Políticas para a Pessoa Idosa — Foto: Divulgação | SEDSODH-RJ O órgão já promoveu palestras nos municípios de Mendes, São Francisco de Itabapoana, Aperibé, Nova Iguaçu, Porciúncula, Araruama e Arraial do Cabo, com foco na escuta ativa e no uso de ferramentas tecnológicas como estratégia de prevenção. Nesta quinta-feira, mais uma ação foi promovida em Belford Roxo, e uma outra acontecerá no dia 18 de junho em Duque de Caxias. Entre as atividades desenvolvidas está a dinâmica “Pelo direito de continuar sonhando”, que utiliza recursos de realidade virtual para estimular reflexões sobre projetos e desejos ainda não realizados pelos participantes. A campanha também promove a troca de cartas entre idosos de diferentes cidades, fortalecendo vínculos afetivos e ampliando a conscientização sobre direitos e formas de proteção. Alerta para fraudes A aposentada Gelcimar da Silva Cruz quase se tornou vítima de um dos golpes mais comuns. Um criminoso entrou em contato por telefone fingindo ser seu filho e solicitou uma transferência bancária urgente. — Ligaram para a minha casa e, quando atendi, o rapaz me chamou de mãe, e disse que precisava muito que eu fizesse um depósito para ele. Meu filho tem uma loja, ainda assim, achei estranho. Quando olhei a foto de perfil, era muito antiga, de quando meu filho estava no quartel e o número também estava diferente — contou. Desconfiada, ela decidiu confirmar a informação diretamente com o filho. — Meu filho e eu moramos no mesmo quintal. Ele tinha acabado de sair da minha casa; praticamente, estava no portão. Eu o chamei e perguntei se ele havia trocado o número do celular. Meu filho negou, então mostrei a foto e o número de quem tinha feito a chamada e percebemos que era um golpe — relatou. Veja fotos: Genro é acusado de matar casal de idosos na Zona Sul do Rio 1 de 9 O oficial da Marinha Cristiano da Silva Lacerda é apontado como principal suspeito pela morte de Oselia e Geraldo — Foto: Reprodução 2 de 9 Felipe com os pais, Oselia e Geraldo, encontrados mortos em apartamento no Jardim Botânico — Foto: Reprodução / Instagram X de 9 Publicidade 9 fotos 3 de 9 Felipe da Silva Coelho tem, em suas redes sociais, registros ao lado da mãe, Oselia — Foto: Reprodução 4 de 9 Cristiano e Felipe teriam um relacionamento, mas estavam passando por um período de desentendimentos — Foto: Reprodução X de 9 Publicidade 5 de 9 O oficial da Marinha Cristiano da Silva Lacerda é apontado como principal suspeito pela morte de Oselia e Geraldo — Foto: Reprodução 6 de 9 Felipe e Cristiano namoraram por dois anos — Foto: Reprodução X de 9 Publicidade 7 de 9 Cristiano da Silva Lacerda também foi encontrado ferido no apartamento e é suspeito pelas mortes dos idosos — Foto: Reprodução / Instagram 8 de 9 Oselia é de Fortaleza. Ela foi morta a facadas em apartamento no Rio, assim como o marido, Geraldo — Foto: Reprodução X de 9 Publicidade 9 de 9 Oselia da Silva Coelho — Foto: Reprodução Para a superintendente de Políticas para a Pessoa Idosa, Loana Saldanha, o avanço das fraudes exige ações de prevenção e orientação. — Os dados mostram que a violência, especialmente por meio de golpes e fraudes, tem se intensificado e, muitas vezes, passa despercebida. Ao mesmo tempo, a tecnologia pode ser tanto uma ferramenta de inclusão quanto um fator de risco. Por isso, essa campanha nasce com o compromisso de ampliar a informação e garantir que as equipes técnicas dos municípios e também as pessoas idosas estejam preparadas para usar esses recursos com segurança, reconhecendo ameaças e se protegendo de golpes que estão cada vez mais sofisticados — afirmou. Como acontecem os golpes Segundo o Dossiê da Pessoa Idosa de 2024, o estelionato está entre os crimes mais praticados contra esse público. O levantamento aponta que 84% das ocorrências acontecem durante o dia, principalmente às terças e quintas-feiras. O estudo também identificou aumento nos casos de violência contra idosos no estado, com quase 200 vítimas de maus-tratos registradas no período analisado, sendo mais da metade dos episódios ocorridos dentro do ambiente familiar. No mês passado, um grupo suspeito de aplicar o chamado “golpe do amor” contra uma idosa de 71 anos foi preso em Belém. Segundo a Polícia Civil do Pará, os criminosos utilizavam a imagem do ator Keanu Reeves para simular um relacionamento amoroso e convencer a vítima a realizar transferências bancárias, causando um prejuízo estimado em R$ 300 mil. Na mesma semana, uma mulher foi presa em Goiânia após se passar por um cantor internacional e causar perdas de cerca de R$ 60 mil a uma idosa. Governo do Estado promove ações de capacitação técnica e conscientização sobre violência contra a pessoa idosa no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação | SEDSODH-RJ Segundo Daniel Blanck, advogado especialista em Direito Digital e Civil, os golpes amorosos estão entre as formas mais cruéis de violência patrimonial porque exploram sentimentos antes de atingir o patrimônio da vítima. — O criminoso se aproxima oferecendo afeto, companhia e atenção, muitas vezes em um momento de solidão, luto, separação ou fragilidade familiar. A vítima não é ingênua; ela é manipulada emocionalmente por alguém que estudou suas carências e construiu uma narrativa convincente para obter dinheiro — explicou. De acordo com o especialista, esses casos podem configurar crimes como estelionato, extorsão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O impacto, porém, não se limita às perdas financeiras. — Muitos idosos perdem economias de uma vida inteira, comprometem aposentadoria, vendem bens e fazem empréstimos. Quando descobrem o golpe, ainda enfrentam vergonha, culpa e medo de contar à família, o que dificulta denúncias e a recuperação dos valores — disse. O especialista em tecnologia da informação Arthur Lebrum destaca que a popularização das redes sociais e dos aplicativos de mensagens ampliou as oportunidades para esse tipo de fraude. Segundo ele, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para criar vínculos emocionais e induzir vítimas a realizar transferências bancárias ou compartilhar dados pessoais. — Grande parte dessas fraudes é baseada na manipulação emocional. Os golpistas estudam hábitos, interesses e vulnerabilidades para construir histórias convincentes. Muitas vezes assumem identidades falsas, utilizando fotos e informações de terceiros para transmitir credibilidade — explicou. Entre os principais sinais de alerta apontados pelos especialistas estão pedidos de dinheiro, recusas frequentes a chamadas de vídeo ou encontros presenciais, histórias dramáticas envolvendo emergências financeiras e solicitações para manter o relacionamento em segredo.
Junho Violeta: Rio amplia ações para combater violência e golpes contra idosos
Casos recentes com prejuízos de até R$ 300 mil reforçam campanha Junho Violeta, que promove ações de conscientização e prevenção em todo o estado








