A associação ambiental Zero alertou para “a pegada sem precedentes” e “o enorme impacte ambiental” do maior Mundial de Futebol de sempre, que teve hoje início nos Estados Unidos, Canadá e México.Em comunicado, a Zero considerou que a competição é um exemplo das dificuldades para compatibilizar “a crescente dimensão dos megaeventos internacionais com os objectivos globais de sustentabilidade e de combate às alterações climáticas”.Lembrando que será o maior Mundial de sempre, com 48 selecções nacionais a disputarem um total de 104 jogos em 16 cidades de três países, a associação não tem dúvidas de que “a dimensão geográfica do torneio e o elevado número de participantes e espectadores farão deste campeonato um dos eventos desportivos com maior pegada ambiental alguma vez realizados”.

Um quinto das emissões anuais de PortugalApesar de muitos dos estádios já existirem, e de a construção de novas infra-estruturas ser limitada, as estimativas apontam para emissões totais entre cerca de oito e nove milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, “um valor que se aproxima de um quinto do valor anual das emissões de Portugal”.Para a Zero, trata-se de “um aumento muito significativo face a anteriores campeonatos do mundo, reflectindo sobretudo a expansão do torneio e a dispersão geográfica das cidades anfitriãs”.Só a distância entre Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, ultrapassa os 4500 quilómetros, por exemplo. “Esta realidade significa que milhões de adeptos, jornalistas, equipas técnicas, patrocinadores e elementos da organização recorrerão inevitavelmente ao transporte aéreo, responsável pela esmagadora maioria das emissões”, alerta a associação.Prevê-se que entre 85% e 90% da pegada carbónica do torneio resulte precisamente das deslocações de participantes e adeptos.Torneio escaldanteA Zero avisa também que algumas cidades onde vão ser disputados os jogos, como Miami, Houston, Dallas, Monterrey ou Guadalajara, são muito quentes nesta altura do ano, aumentando o risco de elevado stress térmico com efeitos na saúde e no desempenho físico dos atletas.Assim, tornam-se necessárias medidas adicionais de adaptação, como “alterações de horários, reforço dos sistemas de arrefecimento, criação de zonas de sombra e hidratação, bem como um maior consumo de energia para climatização dos estádios, espaços interiores e infra-estruturas de apoio”.