Os EUA e a Fifa, Donald Trump e Gianni Infantino, estão escrevendo a página mais triste, degradante e vergonhosa da história das Copas do Mundo. As interdições, as exclusões, as deportações, as perseguições e as proibições que estão praticando contra atletas, profissionais e torcedores de determinados países ofendem a tradição e o sentido histórico dos grandes eventos esportivos de caráter global.

Todos sabem que a Grécia Antiga não era propriamente um país, mas uma região constituída por várias cidades independentes, fundadas por quatro ou cinco tribos que vieram dos Bálcãs e que tinham em comum elementos étnicos, linguísticos e religiosos. Todos diziam-se helenos por terem em comum o deus Heleno como fundamento originário.

Com frequência, as cidades gregas travavam guerras entre si. A partir de 776 a.C., passaram a promover, de quatro em quatro anos, os Jogos Olímpicos. Durante sua realização, os conflitos eram suspensos, permitindo que os atletas afluíssem em segurança à cidade-santuário de Olímpia. As competições também tinham um caráter cívico e religioso e, além do culto ao vigor e às capacidades físicas, visavam promover a união pan-helênica.

Na era moderna, os Jogos Olímpicos foram idealizados pelo Barão Pierre de ­Coubertin, culminando na criação do Comitê Olímpico Internacional, em 1894, e na realização dos Jogos de Atenas, dois anos depois. O objetivo principal era substituir os conflitos bélicos por disputas saudáveis entre os representantes dos países participantes. O evento passou a simbolizar a união global, consagrada na bandeira dos cinco anéis entrelaçados, que representam os cinco continentes, e no lema latino citius, altius, fortius – communiter (“mais rápido, mais alto, mais forte – juntos”).