A Guerra da Ucrânia é frequentemente comparada à Primeira Guerra Mundial devido aos seus ataques brutais de infantaria e ao elevado número de baixas. No entanto, a ideia de que ela pudesse, sob qualquer ponto de vista, superar um conflito tão longo e sangrento que os soldados franceses esperavam que fosse "o último dos últimos" parecia, um dia, impensável.

Foi exatamente isso que aconteceu nesta quinta-feira (11). A guerra na Ucrânia —que chegou a 1.569 dias, ou mais de quatro anos e três meses— já durou mais do que a Primeira Guerra Mundial.

Quando o presidente Vladimir Putin, da Rússia, enviou suas tropas para a Ucrânia em fevereiro de 2022, ele acreditava que o país cairia em poucos dias. Depois que a Ucrânia repeliu os russos e o conflito se transformou em uma guerra de desgaste, mesmo muitos dos combatentes não podiam imaginar que duraria tanto tempo.

"Achei que talvez durasse dois ou três anos, e então os políticos chegariam a algum tipo de consenso", disse um soldado ucraniano que, por motivos de segurança, revelou apenas seu apelido, France, uma referência ao tempo que passou na Legião Estrangeira Francesa.

Mas a guerra continua violenta e, com as negociações de paz paralisadas, não dá sinais de que terminará em breve. Pesquisas sugerem que cerca de metade dos ucranianos acredita que ela não terminará antes do ano que vem, o que a aproximaria de outro marco: a duração da Segunda Guerra Mundial, que levou seis anos. E há muitos ucranianos que argumentariam que a guerra atual realmente começou em 2014, quando as tropas russas tomaram a Crimeia.