Autoridade monetária cita impacto da guerra no Oriente Médio e alta dos preços de energia; mercado já aposta em novo aumento de 0,25 ponto percentual em setembro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu. — Foto: Liesa Johannssen/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:45 BCE Eleva Taxas de Juros em Resposta à Inflação e Guerra no Oriente Médio O Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos, de 2% para 2,25%, devido à pressão inflacionária acentuada pela guerra no Oriente Médio e pelo aumento dos preços de energia. A medida visa conter a inflação que se espalha além do setor energético e reflete a preocupação com o impacto econômico. O BCE prevê outro aumento em setembro, destacando incertezas e riscos para a economia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos ao concluir que não pode mais esperar pelo fim da guerra com o Irã diante da intensificação das pressões inflacionárias. A taxa de depósito subiu de 2% para 2,25%, em linha com o esperado por economistas e investidores, que já preveem outro aumento de 25 pontos-base em setembro. O BCE reiterou que não se comprometerá previamente com decisões futuras, mas afirmou que continua bem posicionado para lidar com a atual incerteza. “As perspectivas seguem incertas, com riscos de alta para a inflação e riscos de baixa para o crescimento econômico”, afirmou a instituição em comunicado. “As implicações totais da guerra para a inflação e o crescimento no médio prazo dependerão da intensidade e da duração do choque nos preços da energia, bem como da magnitude de seus efeitos indiretos e de segunda ordem.” A alta anunciada nesta quinta-feira representa a primeira resposta de política monetária de um grande banco central ao aumento dos preços do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio. Com a guerra entrando em seu quarto mês, autoridades da zona do euro temem que a inflação esteja se espalhando para além do setor de energia e não possa ser contida apenas por um eventual acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Essas preocupações se refletem nas novas projeções trimestrais do BCE, que mostram que os preços ao consumidor devem avançar mais rapidamente neste ano do que o previsto anteriormente antes de retornarem à meta de 2% em 2028. Ao mesmo tempo, as estimativas evidenciam o dilema enfrentado pela instituição, ao apontarem para uma desaceleração do crescimento econômico em razão do impacto da inflação e dos custos mais altos de financiamento sobre o poder de compra. — A guerra no Oriente Médio está afetando a atividade econômica, e as pesquisas apontam para uma desaceleração, especialmente no setor de serviços — afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde, durante entrevista coletiva em Frankfurt. — O aumento dos preços da energia impulsionará ainda mais a inflação ao longo do verão europeu e a manterá bem acima da meta até o primeiro semestre de 2027. O BCE esteve próximo de agir já em abril, e até mesmo alguns de seus integrantes mais moderados haviam sugerido antes da reunião desta semana que praticamente não havia alternativa. Os formuladores de política monetária ainda têm muito presente a experiência de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia provocou uma inflação recorde e o BCE foi acusado de reagir lentamente. Naquele episódio, a taxa de depósito chegou a 4% antes do início de um ciclo de cortes de juros em meados de 2024. Desta vez, as autoridades observam com especial atenção as expectativas de inflação, que aumentaram consideravelmente. Alguns dirigentes temem que as pressões se intensifiquem devido aos danos à infraestrutura energética do Golfo e aos gargalos nas cadeias globais de suprimentos. Outras economias do Grupo dos Sete (G7), que reúne as sete maiores economias avançadas do mundo, demonstram menos disposição para agir. O Banco do Canadá manteve os custos de financiamento inalterados na quarta-feira. Na próxima semana, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, e o Banco da Inglaterra também podem optar por manter os juros estáveis, enquanto o Banco do Japão deve prosseguir com o ciclo gradual de aperto monetário iniciado no ano passado.