Os juros futuros operam em forte queda no pregão desta quinta-feira, despencando quase 30 pontos-base (ou 0,3 ponto percentual) nos vértices de médio prazo da curva a termo, mas com os demais vencimentos também mostrando recuos relevantes, em meio a uma dinâmica ampla de queima de prêmios de risco em nível global. Embora praticamente todo o mercado vá na mesma direção hoje, a renda fixa doméstica exibe movimentos mais intensos, uma vez que também foi a classe de ativos mais penalizada nos episódios recentes de estresse. Com isso, parte do mercado volta a projetar um corte da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se encerra na quarta-feira que vem, dia 17. Por volta de 13h15, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 cedia de 14,48%, do ajuste da véspera, para 14,395%; a do DI de janeiro de 2028 recuava de 14,905% a 14,67%; a do DI de janeiro de 2029 tinha forte queda de 14,97% para 14,70%; e a do DI de janeiro de 2031 caía de 14,84% a 14,615%. A renda fixa doméstica opera no campo positivo desde o início do pregão, na esteira de um movimento global de alívio de risco que também beneficia as taxas dos Treasuries americanos e o real. Para participantes do mercado, o ambiente externo positivo privilegia um amplo ajuste do risco global, ainda que persistam muitas dúvidas sobre a guerra no Oriente Médio. O desempenho das taxas locais acabou se descolando dos demais mercados à medida em que ampliaram a queda, em especial após a divulgação do leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional. Com as taxas ainda em níveis bastante estressados, o Tesouro optou novamente por realizar uma oferta pequena, de apenas 450 mil LTN e 450 mil NTN-F, de modo a evitar a adição de mais risco no mercado. Apesar dos lotes reduzidos, nem toda a oferta foi absorvida pelos players. “A expectativa era de que o leilão fosse pequeno, e foi. As curvas estavam com muito prêmio e acabaram muitos ‘stops’. Então, resolveram aplicar”, descreve um operador de renda fixa em condição de anonimato. Para ele, os níveis de até 15% aos quais chegaram os juros futuros foram “muito exagerados”, principalmente porque o Banco Central ainda não sinalizou que irá suspender o ciclo de cortes da taxa Selic. Em meio à forte queda dos juros futuros, os investidores voltaram a precificar uma chance maior de que o BC reduza a Selic na semana que vem. No mercado de opções digitais, a probabilidade de que o juro básico caia de 14,50% a 14,25% avança de 32%, no fechamento de ontem, para 55%, ao passo em que a chance de manutenção da Selic cai de 68% para 45%. Na curva de juros futuros, a precificação mostra uma divisão quanto à próxima decisão do Copom. Segundo um operador, a curva precifica 12 pontos-base de corte no dia 17 — grosso modo, metade do corte de 0,25 ponto percentual que parte dos agentes projeta.
Juros futuros despencam em dia de queima de prêmios e mercado volta a projetar corte da Selic
Juros futuros despencam em dia de queima de prêmios e mercado volta a projetar corte da Selic








