A internet alterou significativamente as relações entre quem produz e quem recebe informações, com efeitos permanentes sobre o jornalismo profissional. Deixamos para trás o tempo em que poucos veículos de comunicação eram os únicos responsáveis por selecionar, editar e publicar notícias —enquanto, ao público, restava o consumo passivo e raríssimas oportunidades de participação.

Hoje, centenas de milhões de criadores de conteúdo dividem espaço nas redes sociais com jornalistas. Ainda que boa parte se dedique a temas que fogem do escopo da imprensa (com temáticas mais ligadas ao entretenimento ou do tipo "faça você mesmo", por exemplo), há uma avalanche de informações que podem ser consideradas noticiosas e outras tantas que têm a pretensão de ser.

Para os jornalistas, o desafio não é apenas o de produzir material relevante, mas garantir que a sociedade possa reconhecer tal relevância em meio a tantas ofertas. É nesse cenário que a educação midiática emerge como ferramenta estratégica para reconstruir a confiança do público e, assim, fortalecer o jornalismo.

O público precisa conhecer o método jornalístico e as responsabilidades que seus profissionais assumem, do momento em que um dado começa a ser investigado até a publicação. Em um momento em que qualquer pessoa com acesso à internet pode produzir e compartilhar informações com os mais diversos propósitos (até mesmo o de enganar), torna-se vital a distinção entre o material jornalístico —fruto de checagem e técnicas— e os demais conteúdos disseminados em redes sociais e aplicativos de mensagem.