A Polícia Federal (PF) avalia que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve voltar para um presídio federal, de segurança máxima, caso ele não consiga fechar o acordo de delação premiada. A avaliação da corporação, que deve rejeitar a segunda proposta de colaboração apresentada, é de que a estrutura da superintendência da PF em Brasília, onde ele está detido hoje, não é adequada para manter um investigado como o ex-dono do banco Master por tanto tempo. Além disso, a PF considera que a estrutura do sistema penitenciário federal é a melhor para garantir a segurança de Vorcaro e eventual atendimento médico para ele. As penitenciárias federais foram concebidas para ter estrutura de segurança máxima e receber poucos presos em celas isoladas e altamente vigiadas. O objetivo é manter líderes de organizações criminosas, presos internacionais e presos perigosos em um regime mais rigoroso. Vorcaro foi enviado para a Penitenciária Federal de Brasília por ordem do ministro André Mendonça, em março deste ano, após ser preso pela segunda vez na operação Compliance Zero. No mesmo mês, ele foi transferido para a sala de Estado Maior adaptada na superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para elaborar sua primeira proposta de colaboração premiada. O espaço é o mesmo que havia sido adaptado pela corporação para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a PF rejeitar sua primeira proposta de colaboração, o ministro André Mendonça decidiu enviar Vorcaro de volta para uma cela comum na superintendência, em maio. A defesa dele, então, criticou as condições e chegou a pedir que ele fosse colocado em prisão domiciliar, ou ainda levado de volta para a sala especial. Com a sinalização de que iria tentar novamente um acordo, o ministro autorizou no fim de maio sua volta para a sala especial na PF, onde ele está atualmente. Não “virou a chave” Em relação às investigações, fontes ouvidas pelo Valor consideram que a postura mantida por Vorcaro nas tratativas para uma colaboração premiada ainda demonstra que ele não teria “virado a chave” para assumir de fato todos os crimes que teria cometido em sua relação com autoridades e políticos. Os investigadores também consideram que os fatos trazidos por Vorcaro em sua colaboração não avançam para além daquilo que a PF já havia mapeado, mesmo nas citações envolvendo nomes que ainda não foram alvo de operações policiais. Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não tem uma definição sobre a colaboração premiada de Vorcaro, e a expectativa é que se manifeste ao STF sobre as tratativas até sexta-feira (12). A reportagem tentou contato com a defesa de Vorcaro, mas não obteve retorno.
PF quer Vorcaro de volta à penitenciária federal em Brasília
Ex-dono do banco Master foi enviado à Penitenciária Federal de Brasília por ordem do ministro André Mendonça, em março deste ano, após ser preso pela segunda vez na operação Compliance Zero









