Integrantes do Planalto temem que presidente do Senado use essas pautas para desgastar o governo em ano eleitoral O presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Carlos Moura/Agência Senado RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 18:37 Alcolumbre promete barrar pautas-bomba, mas governo teme manobras eleitorais no Senado A equipe econômica do governo recebeu sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que ele pretende travar pautas-bomba, que impactam negativamente as contas públicas. No entanto, o governo teme que Alcolumbre use essas pautas para desgastar o Executivo em ano eleitoral, especialmente após recentes derrotas no Senado. Negociações seguem em curso para equilibrar o impacto fiscal e promover diálogo entre Alcolumbre e Lula. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A equipe econômica recebeu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a sinalização de que pretende segurar no plenário da Casa a votação das chamadas pautas-bomba, propostas que representam elevado impacto fiscal para as contas públicas. Apesar disso, as negociações entre a área econômica, a Secretaria de Relações Institucionais e o comando do Senado seguem em curso. Nos bastidores, o sentimento no governo é ambíguo. Há um certo otimismo de que Alcolumbre possa atender aos pedidos do Executivo e evitar o avanço de propostas a ampliação de benefícios para agentes comunitários de saúde e a criação de um piso nacional para médicos. Ao mesmo tempo, integrantes do governo admitem que a sucessão de reveses recentes, especialmente com a aprovação desses projetos em comissões do Senado, dificulta uma visão mais otimista do cenário. Nesta quarta-feira, o governo voltou a sofrer derrotas em votações da proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central, além das medidas relacionadas aos agentes comunitários de saúde e ao piso dos médicos. Também preocupa o Palácio do Planalto a possibilidade de o Senado votar no plenário o projeto de renegociação das dívidas rurais, que têm forte apoio da bancada do agronegócio e ja foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Integrantes do Planalto temem que o presidente do Senado use essas pautas para desgastar o governo em ano eleitoral. Alcolumbre e Lula estão afastados após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF). O governo avalia que Alcolumbre orquestrou a derrota do indicado de Lula. Um ministro que despacha frequentemente com o presidente diz, sob reserva, que o governo está muito preocupado com o avanço dessas pautas, mas afirma que é preciso chamar a responsabilidade do Parlamento nesse processo. Ele diz que o equilíbrio fiscal é algo que Executivo e Legislativo devem ter em mente, não somente o governo federal. Essa preocupação foi expressada pelos ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Dario Durigan (Fazenda) para Alcolumbre em reunião nesta terça. Pela manhã, Guimarães tratou desse tema com senadores do PT em reunião da bancada e cobrou articulação dos parlamentares para evitar o avanço dessas pautas. O temor da equipe econômica é que a aprovação desse conjunto de medidas amplie as pressões sobre as contas públicas em um momento em que o governo busca reforçar o compromisso com o equilíbrio fiscal e cumprir as metas previstas no arcabouço fiscal. Paralelamente às negociações para conter as pautas de impacto fiscal, os articuladores políticos do governo trabalham para viabilizar uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre. A expectativa é que o encontro ajude a destravar a tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras defendidas por setores da base governista. Segundo interlocutores envolvidos nas conversas, a reunião é dada como certa, mas ainda não há uma data definida para que ela ocorra.