0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O plenário do Senado — Foto: Jonas Pereira/Agência Senado RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 14:08 Senado Pressiona Governo com Pautas-Bomba de R$ 215 Bilhões em Ano Eleitoral O Senado brasileiro tem usado pautas-bomba, que somam R$ 215 bilhões, para pressionar o governo em ano eleitoral, criando situações que podem prejudicar a imagem do governo ao obrigá-lo a vetar medidas populares. A oposição critica o governo Lula por aumentar a dívida, enquanto o Senado avança com propostas de grande impacto fiscal, como a renegociação de dívidas rurais e aumento do piso salarial para médicos, elevando os custos públicos e gerando debate sobre a justiça dessas medidas para os contribuintes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ao avançar com as pautas-bomba que já somam R$ 215 bilhões, o Senado quer, sobretudo, incomodar o governo em ano eleitoral, criar constrangimentos para que tenha de vetar as medidas e, assim, ficar mal com determinados segmentos do eleitorado. Trata-se de uma tentativa de manipulação das contas públicas, do eleitorado e da disputa política. O curioso é que a oposição já tem pronto o discurso de que o governo Lula é gastador e aumentou a dívida. De fato, a dívida aumentou. O déficit até caiu, mas, neste ano, o governo também tem adotado medidas de caráter eleitoral que terão impacto fiscal. Algumas são mais justificadas, outras menos, mas todas têm impacto fiscal. O que o Senado fez agora foi escalar esse comportamento ao conceder um perdão de dívida por meio de uma renegociação de débitos rurais. Inicialmente, a medida seria destinada aos atingidos por calamidades públicas decorrentes de tragédias climáticas, mas a abrangência foi ampliada para incluir efeitos do cenário externo, como as tarifas americanas e a guerra no Oriente Médio. O problema é que o governo já possui políticas de apoio nesse sentido. A proposta aprovada permite a renegociação de toda a dívida, inclusive de quem não foi afetado por essa conjuntura internacional, como é o caso do setor de soja, cuja produção não é direcionada ao mercado americano. O impacto, caso haja renegociação integral das dívidas, como prevê o texto aprovado, é de R$ 140 bilhões até 2027, segundo os cálculos do governo. A medida prevê financiamento com baixo custo via BNDES, utilizando para isso o Fundo Social do Pré-Sal, que possui destinação específica. O Fundo Social não foi criado para financiar mais uma benesse ao setor. O agronegócio já recebe muitos subsídios. O PL e o PP foram os principais defensores da proposta, o que se explica pelo setor ser mais ligado à direita. A senadora Tereza Cristina, que foi ministra do governo Jair Bolsonaro, afirmou que a medida era importante porque esse setor "carrega o Brasil nas costas". Não concordo. É um setor importante, com méritos e defeitos. Mas não se trata aqui de discutir méritos ou defeitos do agronegócio. A questão é outra: é justo para o país e para os contribuintes produzir uma conta desse tamanho? Outra proposta aprovada pelo Senado foi a elevação do piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas, de R$ 3,6 mil para R$ 13,6 mil, para uma jornada de 20 horas semanais. Além disso, o adicional por trabalho noturno e por horas extras passou de 20% para 50%, e também foi garantido um descanso de dez minutos a cada 90 minutos de trabalho. Novamente, chama atenção o fato de que a oposição, em aparente contradição com o discurso fiscalista, proponha medidas que ampliam despesas e também regulação do trabalho. Afinal, na discussão sobre a redução da jornada, o discurso costuma ser o da flexibilização e da livre negociação. No texto aprovado pelo Senado, no entanto, há regulamentação detalhada, inclusive sobre o tempo e a frequência dos descansos. A Casa aprovou também, nesta quarta-feira, a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, reduzindo a idade mínima para 57 anos para mulheres e 60 anos para homens. Nesse ponto, adota-se caminho inverso ao da reforma previdenciária aprovada no governo Bolsonaro, que elevou a idade de aposentadoria com o objetivo de reduzir o déficit da Previdência. Essa é uma tendência observada em diversos países e também no Brasil, em razão do aumento da expectativa de vida. O custo estimado da medida é de R$ 30 bilhões para a já combalida Previdência. Juntas, as três propostas resultam num montante enorme de dinheiro: são centenas de bilhões de reais. E qual é o objetivo? Constranger o governo e fazer demagogia eleitoral. Também se diz que esse movimento tem relação com o fato de o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, estar em conflito com o presidente Lula. Mas Alcolumbre não pode conduzir o Senado impondo uma conta aos cofres públicos por divergências com o governo ou por questões pessoais. Esse é outro aspecto que tem sido alvo de críticas.