O fundo multimercado Verde, liderado por Luis Stuhlberger, encerrou maio com ganhos de 0,33%, abaixo do CDI de 1,07%, mas no ano ainda se defende bem dos vaivéns do mercado. Desde janeiro, acumula valorização de 7,76% ante 5,66% do referencial. Na sua carta mensal, a equipe de gestão descreve que os ganhos vieram da renda variável global e das posições de crédito. As perdas vieram da posição em ações no mercado local, do ouro e da proteção no crédito da Arábia Saudita. O tema guerra perdeu importância para os mercados ao longo de maio, enquanto inteligência artificial seguiu ganhando atenção, impulsionando novamente todos os ativos ligados à cadeia de semicondutores e capacidade computacional, descreve a Verde em sua carta mensal. A continuidade desse movimento trouxe de volta o “excepcionalismo americano” como tema macro, uma dinâmica que os mercados viveram fortemente em 2023 e 2024, mas que tinha sido substituído por uma busca por diversificação para fora do dólar em 2025 e início desse ano, continua. “A resiliência da economia americana, a precificação – mesmo que tímida – de possíveis altas de juros pelo Federal Reserve, e a pujança do ecossistema de IA parecem reforçar esse tema, e temos visto algum fortalecimento do dólar como principal consequência macro dessa lógica”, escreve. A gestora zerou as alocações em real por conta dessa preocupação, mas manteve as posições em metais preciosos. Para Stuhlberger, a volta do excepcionalismo americano – mesmo que em versão ainda suave – explica a reversão dos fluxos observado no mercado brasileiro. Isso ficou claramente marcado no Ibovespa esse mês, com uma queda de 7,22%. O mercado de juros também tem passado por reavaliação importante, essencialmente tirando o ciclo de cortes da curva e precificando um ciclo de altas nos próximos meses. “Parece um certo exagero, mas a constante pressão dos pacotes parafiscais que o governo anuncia – com óbvio intuito eleitoral – torna a vida do Banco Central muito difícil, numa economia com desemprego nas mínimas.” O fundo Verde segue sem posicionamento em juros, embora os níveis da taxa real chamem atenção, e diz ver “oportunidades de comprar mais convexidade na bolsa”. No documento enviado aos investidores, a casa aponta que o conflito no Oriente Médio segue sem solução, com promessas de acordo sendo constantemente empurradas para frente, e pequenos conflitos militares localizados de baixa intensidade. “O apetite do presidente Trump por uma retomada da intensidade militar continua baixíssimo, e a contraparte persa entende isso e usa essa alavancagem a seu favor.” Dada esta realidade – que ao contrário das previsões mudou pouco no último mês – por que não temos preços de petróleo e derivados substancialmente mais altos? A resposta, segundo o time da Verde, passa por três pontos com razoável grau de incerteza: a queda forte das importações chinesas de petróleo, explicada por estoques mais altos e um grau surpreendente de destruição de demanda; pelo trânsito nas sombras de parte importante do óleo que ficou retido no estreito de Ormuz; além do consumo de estoques estratégicos mais amplos pelo mundo. “Essas três explicações juntas respondem, em nossa opinião, pelo fato de não termos um nível de estresse muito mais elevado no mundo com a (ainda) não resolução do conflito.” O fundo manteve sua exposição em renda variável, tanto no Brasil quanto no mercado global. Na renda fixa local não tem posições direcionais. Nos EUA, trocou alocação em inflação implícita por maior posição aplicada em juro real. O multimercado segue carregando uma compra de proteção de crédito da Arábia Saudita, e zerou as posições em petróleo via opções. A alocação de crédito local foi mantida. Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset — Foto: Rogerio Vieira/Valor