Manter-se aquecido às vezes é caro, mas até um homem das cavernas consegue lidar com o desafio técnico: vestir mais uma pele de urso e jogar outra lenha na fogueira. Manter-se fresco é uma questão mais complicada. O excêntrico imperador romano Heliogábalo mandava seus escravos às montanhas para buscar neve, e sua abordagem foi ampliada no século 19 pelo "rei do gelo" Frederic Tudor, que transportava blocos de gelo dos lagos congelados da Nova Inglaterra para climas mais quentes. Pode ter sido desajeitado, mas tornou Tudor um homem rico. Há dinheiro no conforto.

Pelo ar-condicionado ao toque de um botão, temos que agradecer a um jovem chamado Willis Carrier. Em 1902, Carrier desenvolveu um sistema para a gráfica Sackett & Wilhelms no qual o ar circulava sobre serpentinas resfriadas por amônia comprimida. Seus clientes ficaram encantados, e a tecnologia logo passou a ser usada para tornar os teatros suportáveis no verão quente (antes do ar-condicionado, muitos teatros de Nova York simplesmente fechavam as portas no verão).

Desde então, o ar-condicionado moldou o mundo. Dubai? Singapura? Difícil imaginar sem a grande ideia de Carrier —e com tantas megacidades do mundo em regiões tropicais, há mais demanda por refrigeração por vir. O ar-condicionado residencial permitiu que a população do "cinturão do sol" americano explodisse. A mudança demográfica teve consequências políticas: em seu livro "How We Got To Now", Steven Johnson argumentou que o ar-condicionado elegeu Ronald Reagan.