Trabalho foi encabeçado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicado na revista científica Frontiers in Immunology Creatina em sua forma pura — Foto: Unsplash RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 10:03 Estudo da Unesp questiona efeito anti-inflamatório da creatina em humanos Um estudo da Unesp publicado na Frontiers in Immunology questiona o efeito anti-inflamatório da creatina, popular em academias. A pesquisa não encontrou evidências sólidas desse benefício em humanos, apesar de alguns efeitos observados em atletas após doses altas. O estudo sugere mais ensaios clínicos para confirmação. A creatina, segura e bem tolerada, auxilia no desempenho muscular, mas requer orientação profissional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A creatina se tornou um dos suplementos mais utilizados nas academias ao redor do mundo. Um dos efeitos associados a ela é de propriedade anti-inflamatória. No entanto, um novo estudo publicado na revista científica Frontiers in Immunology mostra que, na verdade, ela não apresenta esse efeito no organismo. De acordo com os pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que realizaram uma revisão sistemática com meta-análise, não foram encontradas evidências sólidas sobre este suposto benefício. “Muita gente fala que a creatina é anti-inflamatória com base em resultados de estudos feitos em animais ou em células isoladas em laboratório. O problema é que esses resultados da pesquisa básica nem sempre se traduzem em efeitos clínicos em humanos”, explica o pesquisador Vitor Engracia Valenti, coordenador do grupo e orientador do estudo, em entrevista à Fapesp. A pesquisa mostra que, por um lado, foi possível observar efeitos anti-inflamatórios da creatina em apenas um caso: atletas submetidos a protocolos de alta dose (cerca de 20 g por dia por cinco dias). Depois de realizarem exercícios físicos intensos, como um triatlo, eles tiveram redução dos marcadores inflamatórios. No entanto, esse cenário não tendeu a se repetir em outros casos. Além disso, os cientistas apontam que não foram identificadas mudanças ou impacto do suplemento sobre a inflamação em nível molecular. A PCR e a interleucina-6 (IL-6) foram os biomarcadores, isto é, sinais produzidos pelo corpo de que algo está acontecendo relacionado à inflamação, mais observados na pesquisa e mostraram reduções muito pequenas entre os participantes. “Diante desses achados, recomendamos a realização de mais ensaios clínicos randomizados, controlados por placebo, para confirmar os dados observados. Nosso estudo funciona como um estímulo, uma provocação à comunidade científica, ao evidenciar a necessidade de investigações mais robustas sobre o tema”, afirma Valenti. O estudo também aponta que a creatina tende a ser segura e bem tolerada em diferentes populações, incluindo pessoas diagnosticadas com doenças e idosos. “A creatina pode favorecer a força e o desempenho muscular durante o exercício e, em alguns contextos, pode contribuir indiretamente para a funcionalidade. Mas é importante buscar um médico, nutricionista ou educador físico antes de começar a usar, porque cada pessoa tem uma necessidade diferente”, conclui Valenti. Para que serve a creatina? Ela é um conjunto de aminoácidos produzidos pelo próprio organismo e também é obtida pelo consumo de carne vermelha, peixe e frango. No organismo, a creatina serve como um combustível para os músculos esqueléticos e pode promover o crescimento muscular quando combinado com o exercício. O armazenamento dessa substância ocorre principalmente nas fibras musculares, e uma parte menor vai para o cérebro. Ao longo do dia, o corpo reabastece naturalmente a creatina em seus músculos, mas os suplementos ajudam a "abastecer o tanque".
Nova pesquisa contesta suposto efeito anti-inflamatório da creatina; entenda
Trabalho foi encabeçado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicado na revista científica Frontiers in Immunology









