As taxas de juros não vão cair tão cedo. No máximo, o Banco Central talvez dê uma gorjeta pequena na reunião da semana que vem, quando decide a Selic: corte mínimo e basta. No mais, o caldo entornou, em uma situação já muito grave. O país não parece ligar muito.
O Desenrola 2 vai enxugar mais gelo. Empresas continuam no caminho de renegociação de dívidas e recuperação judicial ou gastam o que ganham em juros ou, aquelas em situação melhor, deixam de investir por causa do custo de capital. A taxa de investimento, sempre longe do necessário nos últimos 40 anos, vai minguando para níveis dos anos da economia deprimida.
Fachada da sede do Banco Central, em Brasília, vista de cima - Pedro Ladeira - 21.jun.24/Folhapress
No mercado, o dinheiro está aplicado em uma Selic a 14,5% (nível atual) e de 15% na virada do ano. Para quase todos os prazos mais longos, estão em níveis próximos daqueles do pânico da virada de 2024 para 2025.
Pode ser um mercado "disfuncional", "desorientado" pelos choques recentes, exagerado, quem sabe. Isto é, ora sem rumo por causa de choque de petróleo mais duradouro, por causa de economia mais acelerada do que se imaginava, por estímulos de crédito do governo ou risco de alta de juros nos Estados Unidos. Mesmo que se desconte o exagero, o rolo não passa tão cedo, até porque vai haver eleição. O problema é que a conta de juros já andava em nível tétrico.














