Em meio à preocupação do governo com o avanço da chamada “pauta-bomba” no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta terça-feira (9), uma espécie de autocrítica. Segundo ele, muitas vezes as queixas concentram-se na Câmara e no Senado, quando a falha pode estar na falta de habilidade da própria gestão para convencer e dialogar com os interlocutores certos. "Muitas vezes, a gente critica a Câmara, o Senado, mas a gente sabe que, muitas vezes, falta habilidade nossa de convencer as pessoas, conversar com as pessoas certas", comentou o chefe do Executivo nesta tarde. Conforme publicado pelo Valor, mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se encontraram para discutir projetos de interesse da equipe econômica em tramitação no Congresso. A estimativa é que a "pauta-bomba" gere um impacto fiscal de mais de R$ 270 bilhões nos próximos anos somente para os cofres federais. Um dos principais focos de atenção é o PL 5122/23, que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais. A matéria foi aprovada na semana passada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) sem as alterações pretendidas pelo governo. O texto, que tem impacto estimado em R$ 120 bilhões nos próximos dez anos, deve ser apreciado amanhã pelo plenário. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede aposentadoria integral e com paridade a agentes de saúde também preocupa o governo. A medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados em outubro do ano passado e tramita atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado já com parecer favorável. A equipe econômica estima que a mudança custará R$ 99 bilhões até o último beneficiário. A declaração de Lula aconteceu durante cerimônia de assinatura de decreto de regulamentação do Estatuto da Segurança Privada, no Palácio do Planalto. Na ocasião, o presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), Jeferson Furlan Nazário, disse que a regulamentação estimulará a geração de postos de trabalho. A expectativa é que, nos próximos anos, haja um crescimento de, pelo menos, 50% dos postos de trabalho, segundo ele. Já o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse que a mudança organiza o setor, confere previsibilidade e um ambiente mais seguro para as empresas. Ele destacou, ainda, que um dos pilares centrais desse modelo será o fortalecimento da PF.