Presidente afirma que teve que superar "burocratas" para implementar programas como Bolsa Família, Farmácia Popular e Brasil Sorridente Presidente Lula da Silva (PT), na sede da Avibras Aeroco, Jacareí, SP — Foto: Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que aprendeu a ser "teimoso" para conseguir realizar políticas públicas que considera prioritárias para o país, mesmo com o Orçamento da União curto, comparado por ele a cobertas oferecidas a passageiros de voos da classe econômica e que não cobrem o corpo todo. Lula fez as declarações nesta sexta-feira (24), durante encontro com representantes das áreas de ciência e tecnologia, na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na capital paulista. O presidente voltou a dizer que destinar recursos à educação não é gasto, mas investimento. "A gente tem sempre um Orçamento da União muito apertado. É como uma manta de avião: você começa a sentir frio, e a desgraçada da manta não cobre da cabeça aos pés. Eu aprendi que a gente só consegue fazer as coisas se a gente for teimoso e resolver desafiar a nós mesmos", disse. Ele afirmou que teve que superar "burocratas" para implementar programas como Bolsa Família, Farmácia Popular e Brasil Sorridente. Na fala, Lula fez uma defesa do investimento em iniciativas que busquem dar condições de igualdade para os brasileiros, justificando que de nada serve "um operário ser presidente da República" e agir da mesma forma que os outros que o precederam. O discurso de atenção aos mais pobres é uma das principais mensagens trabalhadas pelo presidente para a campanha de tentativa de reeleição. "A impressão que eu tenho é que todas as pessoas que governaram o Brasil durante muito tempo imaginavam o Brasil para um certo percentual da sociedade brasileira. Acho que, poucas vezes, o Brasil foi pensado para a totalidade da sua população. E, no campo da educação, é onde vejo isso mais visível", disse o presidente, ao defender o acesso universal ao ensino e políticas de cotas raciais e sociais. De acordo com Lula, sua primeira briga ao assumir a Presidência pela primeira vez, em 2003, "foi proibir tratar educação como gasto" e chamou de "lenga-lenga" as cobranças de responsabilidade fiscal, que, segundo ele, levam em conta mais o pagamento dos juros do que "as coisas necessárias" para o país. "Tudo o que a gente faz é gasto. E ninguém fala que pagar R$ 1 trilhão de juros da dívida é gasto", disse. Estados Unidos e China Ao ressaltar a necessidade de avanços na pesquisa científica, Lula afirmou que o Brasil tem que estar preparado para investir em minerais críticos, sem ficar à mercê dos Estados Unidos e da China. "Se a gente não pesquisar e não investir, sem saber se vai dar certo ou não, a gente não vai entrar nessa disputa. A gente vai ficar vendo o [Donald] Trump brigar com o Xi Jinping. E, como o Brasil tem um potencial extraordinário, nós temos que nos qualificar, para que a gente seja dono do que nós temos no nosso território. O Brasil não será exportador de terras raras, de minerais críticos, in natura", discursou. Os ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da Educação, Leonardo Barchini, também participaram do encontro com a SBPC e a ABC. Entre os presentes, estavam o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, e o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Aluísio Segurado. Mais cedo, Lula esteve em Jacareí (SP) para uma visita às instalações da empresa Avibras Aeroco, da área de aviação e defesa.