Ao The New York Times, Omar Artan revelou a frustração após ser barrado do torneio por não ter sua documentação aceita pelas autoridades imigratórias dos EUA Omar Artan aplica cartão amarelo em Denis Bouanga, da seleção do Gabão — Foto: Khaled DESOUKI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 11:19 Árbitro somali é barrado nos EUA para Copa 2026 por segurança O árbitro somali Omar Artan expressou frustração após ser impedido de entrar nos EUA para a Copa de 2026, devido a preocupações de segurança não especificadas pelas autoridades de imigração. Artan, que passou por um longo interrogatório, afirmou ter toda a documentação em ordem. O episódio interrompeu sua preparação de quatro anos para o torneio, em meio a restrições de visto impostas à Somália. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan teve a entrada negada nos Estados Unidos, nesta terça-feira impossibilitando sua participação na Copa do Mundo de 2026. Em sua primeira declaração pública após o episódio, concedida em entrevista ao jornal The New York Times, o profissional lamentou o veto migratório que frustrou o que chamou de "maior objetivo de sua carreira". — Estou muito, muito desapontado. Sou simplesmente um árbitro que está tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, de vir para a Copa do Mundo — disse Omar Artan, que está em Istambul e concedeu a entrevista por telefone. Mantido no Aeroporto Internacional de Miami, o árbitro somali foi impedido de entrar no território americano no último sábado, a cinco dias da abertura da Copa do Mundo. De acordo com relatos do próprio árbitro, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, em inglês) o conduziram a uma sala reservada de inspeção, onde ele permaneceu sob interrogatório durante toda a noite antes de ser deportado. — Eu tinha os documentos certos e tudo mais. Tinha o visto correto — afirmou. Durante o procedimento, os agentes de fronteira também fizeram buscas em plataformas digitais para checar o histórico profissional de Artan. Segundo o relato de Omar, a entrevista de imigração estendeu-se por 11 horas. Ainda de acordo com o relato do juiz, o interrogatório conduzido pelos agentes de fronteira foi concentrado nos motivos de sua viagem e no cenário político da Somália. As indagações abordaram extensivamente as atividades do grupo extremista Al-Shabab, organização que controla parcelas do território do país africano. O somali afirmou ter sido transferido para uma cela de detenção temporária, onde permaneceu confinado por mais algumas horas antes de ser embarcado em um voo com destino a Istambul, na Turquia. Artan afirmou que as autoridades americanas não apresentaram nenhuma justificativa formal para a recusa de sua entrada no país. Em informe oficial, a CBP disse que as decisões de admissibilidade são tomadas de forma individual e não detalhou as razões específicas que motivaram o veto a Artan. De acordo com a nota emitida pelo órgão, o profissional "passou por uma inspeção adicional, uma etapa rotineira do processo de fiscalização da CBP quando os agentes necessitam verificar informações ou determinar a elegibilidade de entrada". A agência governamental concluiu o comunicado afirmando que, após a análise, o árbitro da Fifa foi considerado "inadmissível devido a preocupações de segurança identificadas durante a triagem", justificando assim a rejeição de sua entrada no país. Na entrevista, Artan chegou a dizer acreditar que os Estados Unidos "têm um problema com o seu país”, e afirmou que retornará à capital da Somália, Mogadíscio, na quarta-feira. A exclusão do torneio interrompe uma preparação que, segundo o árbitro, durava quatro anos e incluiu a participação em cursos de capacitação técnica da Fifa no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. O impasse ocorre em meio às severas restrições de viagem e concessão de vistos impostas pelo governo Trump à Somália, nação localizada no Leste Africano. Diante do cenário, ainda não há clareza se a Fifa solicitou uma autorização especial de trânsito para o profissional junto ao governo americano. Em nota oficial, a entidade confirmou que o árbitro somali está definitivamente fora do corpo de arbitragem do Mundial. Artan detalhou que o percurso rumo aos Estados Unidos teve início na semana anterior em Nairóbi, capital do Quênia, onde permaneceu no aguardo da emissão de seus documentos de viagem. Com a documentação liberada, o árbitro embarcou com destino a Istambul e, de lá, seguiu em um voo de conexão para Miami, onde participaria de uma reunião preparatória oficial da Fifa com o corpo de arbitragem escalado para o torneio.