Alexandre Padilha afirmou que houve 42 episódios de 'reações mais severas' registradas; duas mortes estão sob investigação O ministro Alexandre Padilha (Saúde) durante entrevista coletiva sobre a dengue — Foto: Brenno Carvalho RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 16:11 Ministério suspende vacina do Butantan após reações severas e mortes O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue do Butantan após 42 casos de reações severas e duas mortes em investigação. Vacinados devem monitorar sintomas por 21 dias. A vacina Qdenga, da Takeda, não foi afetada e continua no SUS. A medida visa garantir segurança enquanto investigações prosseguem. Autoridades destacam a importância da vacinação para evitar mortes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério da Saúde orientou as pessoas que tomaram a vacina do Instituto Butantan contra a dengue a acompanharem o possível surgimento de sintomas, como febre, dores no corpo, vômito e náuseas por 21 dias após a aplicação. O governo federal suspendeu de forma temporária a aplicação após serem identificados 42 casos de 'reações mais severas', o que incluiu consequências que não haviam sido registradas nas pesquisas. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que duas mortes estão em investigação. A medida não atinge a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, que é aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados. — A gente reforça para as pessoas que elas estão protegidas. Os dados mostram que protege contra os quatro tipos de dengue. E vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial para identificar se acabam desencadeando ou não algum desses sinais de alerta, ou qualquer reação adversa, para que a gente possa registrar e agir da melhor forma possível — disse o ministro. Padilha acrescentou que a vacina foi aplicada em 500 mil pessoas até o momento e que haverá uma reunião com gestores estaduais para apresentar todos os detalhes da medida. O ministro também informou que a grande maioria das cerca de 500 mil doses aplicadas até agora foi destinada a profissionais de saúde. Menos de 100 mil foram utilizadas na estratégia ampliada adotada em três municípios do Ceará e em uma região do Tocantins. A vacina do Butantan foi aplicada de forma ampliada, dos 15 aos 59 anos, em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP) , e na região de Araguaína, no Tocantins. Também foram vacinados profissionais de atenção primária à saúde, espalhados por todo o país. Das 500 mil doses, mais de 400 mil foram para profissionais de saúde, e o restante foi direcionada para as regiões onde houve a imunização ampliada. O imunizante Qdenga, que não foi atingido pela medida e está disponível no SUS, já teve cerca de 8 milhões de doses aplicadas, segundo Padilha. Uma das mortes sob investigação é de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave e teve comprometimento neurológico 19 dias após ser imunizada. O outro é de um homem de 58 anos, que teve febre alta e sintomas de dengue grava cinco dias depois de receber a vacina. Além das duas mortes, houve um terceiro caso identificado como mais grave. Uma mulher de 39 anos teve febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacina. Ela chegou a ser internada na UTI, mas teve alta. O ministério, da Anvisa e o Butantan estão analisando os detalhes dos 42 casos em que foram registradas reações mais severas para aprofundar a investigação e buscar os possíveis fatores de risco. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Brasília, com participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). — O nosso compromisso é com o máximo rigor cientifico possível. A gente vai trabalhar nesse sentido, com a esperança de que vamos conseguir dados suficientes para mostrar que a vacina tem beneficio para a saúde publica brasileira e que pode ser retomada essa vacinação — afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás. — A decisão não invalida a eficácia da vacina. A população vacinada continua protegida — disse Eder Gatti Fernandes, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações. A importância da imunização da população foi corroborada por Padilha: — Ter uma vacina é uma estratégia fundamental para a gente evitar mortes nesse país. Nós faremos isso com a maior credibilidade possível, com a maior proteção e segurança para população brasileira. O que fazer nos 21 dias após tomar a vacina Fique atento a sintomas incomuns ou semelhantes aos da dengueProcure atendimento médico em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentosInforme ao profissional de saúde a data da vacinaçãoNão deixe de buscar atendimento por acreditar que os sintomas são apenas uma reação comumContinue adotando medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti A recomendação não significa que pessoas vacinadas irão desenvolver complicações, mas busca reforçar o monitoramento enquanto as investigações sobre os eventos adversos continuam. A orientação é que qualquer sintoma seja comunicado aos serviços de saúde para permitir o registro e a análise dos casos. Outra vacina contra a dengue A vacina Qdenga, que continua sendo aplicada normalmente, ficou disponível na rede privada no fim de 2023 e foi incorporado no SUS em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses. O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses. A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permanece como a principal medida de prevenção.
Ministério da Saúde orienta quem tomou a vacina do Butantan contra a dengue a monitorar sintomas por 21 dias; entenda
Alexandre Padilha afirmou que houve 42 episódios de 'reações mais severas' registradas; duas mortes estão sob investigação













