Alexandre Padilha afirmou que houve 42 episódios de 'reações mais severas' registradas; duas mortes estão sob investigação Vacina contra a dengue disponível no SUS — Foto: Guito Moreto - Agência O Globo/23/02/2024 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 15:11 Vacina contra dengue do Butantan é suspensa após reações severas e mortes O Ministério da Saúde do Brasil suspendeu temporariamente a vacina contra dengue do Instituto Butantan após 42 episódios de reações severas e duas mortes em investigação. O ministro Alexandre Padilha enfatizou a precaução como essencial e destacou que a medida não afeta a vacina Qdenga, da Takeda, disponível no SUS. As reações estão sendo investigadas, e quem tomou a vacina recentemente deve monitorar sintomas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram nesta segunda-feira a suspensão da aplicação e o recolhimento da vacina do Instituto Butantan contra a dengue. A decisão é temporária e foi tomada após serem identificados 42 casos de 'reações mais severas', o que incluiu consequências que não haviam sido registradas nas pesquisas. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que duas mortes estão em investigação. A medida não atinge a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, que é aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados. — Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso nós estamos tomando uma decisão hoje, que será comunicada ainda hoje de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina do Butantan — disse Padilha. — Dentro dos 42 casos, chegamos a ter duas situações de óbitos, em que não existem dados suficientes para estabelecer causalidade com a vacina. Padilha acrescentou que a vacina foi aplicada em 500 mil pessoas até o momento e que haverá uma reunião com gestores estaduais para apresentar todos os detalhes da medida. Ele orientou as pessoas que tomaram o imunizante nos últimos 21 dias a monitorar se surge algum sintoma, como febre e dores abdominais. A vacina foi aplicada em três cidades — Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP) — , em uma região do Tocantins e em profissionais de atenção primária à saúde. — A gente reforça para as pessoas que elas estão protegidas. Os dados mostram que protege contra os quatro tipos de dengue. E vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial para identificar se acabam desencadeando ou não algum desses sinais de alerta, ou qualquer reação adversa, para que a gente possa registrar e agir da melhor forma possível — disse o ministro. O ministério, da Anvisa e o Butantan estão analisando os detalhes dos 42 casos em que foram registradas reações mais severas para aprofundar a investigação e buscar os possíveis fatores de risco. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Brasília, com participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). — A decisão não invalida a eficácia da vacina. A população vacinada continua protegida — disse Eder Gatti Fernandes, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Outra vacina contra a dengue A vacina Qdenga, que continua sendo aplicada normalmente, ficou disponível na rede privada no fim de 2023 e foi incorporado no SUS em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses. O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses. A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permanece como a principal medida de prevenção.