São Paulo tem alguns grandes símbolos urbanos. Um deles é a estação da Luz. Principal entroncamento ferroviário e metroviário da capital até hoje, ela foi inaugurada em 1901 para substituir uma velha parada que havia no local, escala obrigatória da linha de trem Santos-Jundiaí, instalada em 1867. Sua operação, porém, cessou temporariamente há quase 80 anos, na madrugada do dia 6 de novembro de 1946, quando um grande incêndio destruiu por completo o complexo arquitetônico em estilo eclético.

Notícias da época davam conta de que o incêndio poderia ter sido provocado de maneira intencional pela sua proprietária, a São Paulo Railway, que devolveria a estação para o poder público dois dias depois da ocorrência. Um contrato firmado com o governo em 1856 garantia a concessão da ferrovia por 90 anos. A suspeita de sabotagem decorreu do fato de o fogo ter começado no escritório da companhia inglesa e ter incinerado todos os documentos. Pensava-se tratar literalmente de uma queima de arquivo.

A hipótese foi logo descartada pelo vice-presidente da São Paulo Railway, John Hillman. Segundo ele, a causa do incêndio foi um curto-circuito. Falou-se também em um possível atentado terrorista. Seja como for, a estação projetada pelo arquiteto inglês Charles Henry Driver e erguida com estrutura pré-montada na Inglaterra foi devastada. O fogo atingiu cabines telefônicas, depósito de bagagens, posto dos correios, restaurante e as bilheterias. A torre do relógio, que marcava o tempo na cidade, ficou destruída.