Quando ficam isolados em fragmentos de floresta, sem acesso fácil aos rios, lagos e charcos onde muitos deles se reproduzem, os anfíbios da mata atlântica se tornam mais vulneráveis a um fungo letal, que tem provocado extinções desses animais mundo afora.

O cenário preocupante, traçado por uma equipe internacional de cientistas, indica que os bichos em habitats mais isolados têm menos chances de adquirir micróbios "do bem", cuja presença contrabalança a ação matadora do fungo Batrachochytrium dendrobatidis (ou Bd, para encurtar).

Análises indicam que os anfíbios cuja mobilidade fica mais restrita têm uma diversidade menor de micro-organismos em sua pele. Isso significa menos competidores e inimigos do Bd nessa parte sensível do organismo dos animais, permitindo que o invasor se multiplique com mais facilidade.

"Até o momento, os nossos dados indicam que determinadas bactérias é que conferem a proteção contra o fungo", disse à Folha o professor Célio Haddad, do Departamento de Biodiversidade da Unesp de Rio Claro, interior paulista. Segundo ele, também não se pode descartar que a microbiota (comunidade de micro-organismos) mais diversa de alguns dos anfíbios esteja fortalecendo o sistema de defesa do corpo deles para enfrentar invasões, embora essa possibilidade ainda não tenha sido testada.