Os leões que rondavam as cavernas da Era do Gelo e foram retratados em desenhos e até estatuetas por alguns dos primeiros artistas da humanidade pertenciam a uma espécie diferente da de seus primos atuais, embora tenham cruzado com eles algumas vezes.

A conclusão vem da análise mais completa do DNA dessas feras feita até hoje, a qual também mostrou que os leões-das-cavernas (Panthera spelaea) eram superpredadores cosmopolitas e globalmente conectados —tanto os bichos da Europa Ocidental quanto os da Sibéria, apesar das enormes distâncias, faziam parte da mesma grande população, trocando genes com considerável rapidez, a exemplo do que se via entre os lobos antes que eles fossem dizimados pela ação humana.

Detalhes da análise genômica foram apresentados em artigo publicado na última quarta-feira (3) na revista especializada Cell. Liderados por Love Dalén, do Departamento de Bioinformática e Genética do Museu Sueco de História Natural, os pesquisadores "soletraram" o genoma completo de 12 leões-das-cavernas, que viveram ao longo de um intervalo de cerca de 100 mil anos (de 148 mil anos atrás, quando o Homo sapiens ainda não tinha se expandido a partir de seu "berço" africano, até 17 mil anos atrás, alguns milhares de anos antes de a espécie desaparecer, por motivos que ainda não estão totalmente claros).