Estudo liderado por Stanford aponta que variantes genéticas associadas à resistência ao GLP-1 podem reduzir a eficácia de medicamentos usados contra diabetes tipo 2; pesquisadores ainda não sabem se o mesmo vale para perda de peso Canetas emagrecedoras — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 14:14 Variantes genéticas explicam eficácia variável do Ozempic, diz estudo Cientistas de Stanford descobriram que variantes genéticas podem explicar por que medicamentos como Ozempic, usados para tratar diabetes tipo 2, são menos eficazes em alguns pacientes. Cerca de 10% das pessoas têm variantes associadas à resistência ao GLP-1, um hormônio crucial para regular o açúcar no sangue. O estudo sugere que essa resistência não afeta outros medicamentos e destaca a importância da medicina de precisão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma peculiaridade genética pode ajudar a explicar por que medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, não funcionam tão bem em alguns pacientes com diabetes tipo 2. Uma pesquisa da Stanford Medicine, em colaboração com cientistas de outros países, sugere que cerca de 10% das pessoas carregam variantes genéticas ligadas a um fenômeno conhecido como resistência ao GLP-1, hormônio que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue. Segundo o estudo, publicado na revista Genome Medicine, indivíduos com essas variantes parecem produzir níveis mais altos de GLP-1, mas o hormônio não atua com a mesma eficácia no organismo. A descoberta pode ajudar a explicar por que parte dos pacientes responde menos aos agonistas do receptor de GLP-1, classe de medicamentos que inclui o Ozempic. Os pesquisadores destacam que o estudo se concentrou no controle da glicose no sangue e não chegou a conclusões firmes sobre efeitos relacionados à perda de peso. Medicamentos como Ozempic e Wegovy costumam ser prescritos em doses mais altas para tratamento da obesidade do que para diabetes, e ainda são necessárias novas pesquisas para saber se os mesmos fatores genéticos influenciam o emagrecimento. Famosas aderem ao 'Ozempic' 1 de 7 Dayanne Bezerra faz uso do Ozempic — Foto: Reprodução Instagram 2 de 7 Jojo Todynho já relatou usar Ozempic — Foto: Reprodução Instagram X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Luiza Possi revelou uso Ozempic — Foto: Reprodução Instagram 4 de 7 Oprah Winfrey assumiu usar Ozempic — Foto: Getty Images X de 7 Publicidade 5 de 7 Sharon Osbourne apostou em Ozempic para perder peso — Foto: Getty Images 6 de 7 Rebel Wilson adotou Ozempic para emagrecer — Foto: Getty Images X de 7 Publicidade 7 de 7 Karoline Lima revelou que usou Ozempic após críticas sobre seu corpo — Foto: Reprodução Instagram Celebridades admitiram uso do remédio, que é destinado ao tratamento de diabetes "Em alguns dos ensaios, vimos que indivíduos que tinham essas variantes não conseguiam reduzir seus níveis de glicose no sangue com a mesma eficácia após seis meses de tratamento", disse Anna Gloyn, professora de pediatria e genética da Stanford Medicine e uma das autoras seniores do estudo. Segundo a professora, esse é justamente o período em que médicos frequentemente avaliam a necessidade de mudar o tratamento de um paciente. Identificar com antecedência quem tem maior ou menor chance de responder aos medicamentos poderia aproximar o tratamento do diabetes da chamada medicina de precisão. Fabricação de canetas de Ozempic na Novo Nordisk A/S, na Dinamarca — Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg "Quando trato pacientes na clínica de diabetes, vejo uma enorme variação na resposta a esses medicamentos baseados em GLP-1, e é difícil prever essa resposta clinicamente", afirmou Mahesh Umapathysivam, endocrinologista e pesquisador clínico da Universidade de Adelaide, na Austrália, e um dos autores principais do trabalho. "Este é o primeiro passo para conseguir usar a composição genética de uma pessoa para nos ajudar a melhorar esse processo de tomada de decisão", concluiu. A equipe analisou duas variantes genéticas que reduzem a atividade de uma enzima chamada PAM, sigla para peptidil-glicina alfa-amidante monooxigenase. Essa enzima atua na ativação de diferentes hormônios, incluindo o GLP-1. "PAM é uma enzima verdadeiramente fascinante porque é a única enzima que temos capaz de um processo químico chamado amidação, que aumenta a meia-vida ou a potência de peptídeos biologicamente ativos", disse Gloyn. "Pensamos: se você tem um problema com essa enzima, haverá múltiplos aspectos da sua biologia que não estão funcionando corretamente", acrescentou. Para investigar o fenômeno, os cientistas recrutaram adultos com e sem uma variante da PAM chamada p.S539W. Os participantes, que não tinham diabetes, beberam uma solução açucarada, e amostras de sangue foram coletadas a cada cinco minutos durante quatro horas. A escolha por pessoas sem diabetes buscou reduzir a influência de outros fatores nos resultados. Caneta emagrecedora. — Foto: Magnific A expectativa inicial era que participantes com a variante apresentassem níveis menores de GLP-1, já que o hormônio poderia ser menos estável sem a amidação adequada. O resultado, no entanto, surpreendeu os pesquisadores. "O que vimos, na verdade, foi que eles tinham níveis aumentados de GLP-1", disse a pesquisadora. "Isso foi o oposto do que imaginávamos que encontraríamos". Detalhes do estudo Apesar da maior circulação do hormônio, não houve evidência de maior atividade biológica. Essas pessoas não reduziram os níveis de açúcar no sangue mais rapidamente. Na prática, era necessário mais GLP-1 para produzir o mesmo efeito, sinal de resistência ao hormônio. "Essa é a pergunta de um milhão de dólares" afirma Gloyn, sobre a causa exata da resistência ao GLP-1. "Marcamos como concluída uma lista enorme de todas as formas pelas quais achávamos que a resistência ao GLP-1 poderia surgir. Não importa o que tenhamos feito, não conseguimos determinar precisamente por que eles são resistentes". Conheça Kalundborg, cidade dinarquesa de 17 mil habitantes que está sendo transformada pela fábrica do Ozempic 1 de 9 O porto em Kalundborg: com uma população de menos de 17 mil pessoas, a Novo Nordisk está fazendo grandes investimentos para aumentar a produção de seus populares medicamentos para diabetes e perda de peso, Ozempic e Wegovy — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times 2 de 9 Shaun Gamble e os clientes do café Costa Kalundborg Kaffe, com vista para o porto em Kalundborg — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times X de 9 Publicidade 9 fotos 3 de 9 As ruas em Kalundborg — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times 4 de 9 As ruas em Kalundborg — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times X de 9 Publicidade 5 de 9 Algumas das instalações do Laboratório Helix, financiado pela Fundação Novo Nordisk, onde estudantes de pós-graduação completam suas teses de mestrado trabalhando com empresas locais — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times 6 de 9 Experimento com proteínas no Laboratório Helix, em Kalundborg — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times X de 9 Publicidade 7 de 9 Martin Damm, o prefeito de Kalundborg — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times 8 de 9 Estudantes de engenharia e seu professor no Laboratório Helix, financiado pela Fundação Novo Nordisk — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times X de 9 Publicidade 9 de 9 A fábrica da Novo Nordisk em Kalundborg, onde quase toda a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, é produzida — Foto: Charlotte de la Fuente/The New York Times Economia do país cresceu 1,9% no ano passado, entre as mais rápidas da Europa, graças à indústria farmacêutica, liderada pela Novo Nordisk Os achados também foram testados em camundongos desenvolvidos por cientistas em Zurique, na Suíça, que não tinham o gene PAM. Os animais apresentaram sinais semelhantes de resistência ao GLP-1: tinham níveis elevados do hormônio, mas ele era menos eficaz no controle da glicose. Um dos efeitos importantes do GLP-1 é retardar o esvaziamento gástrico, isto é, a velocidade com que o alimento deixa o estômago. Esse mecanismo contribui tanto para o controle do açúcar no sangue quanto para a perda de peso. Nos camundongos sem o gene PAM, o esvaziamento gástrico foi mais rápido, e o tratamento com um agonista do receptor de GLP-1 não conseguiu retardar esse processo. Em seguida, os cientistas analisaram dados de três ensaios clínicos com 1.119 participantes com diabetes. Os resultados mostraram que pessoas com variantes da PAM responderam pior aos agonistas do receptor de GLP-1. Os níveis de HbA1c, indicador do controle de longo prazo da glicose no sangue, melhoraram menos nesses pacientes do que nos não portadores das variantes. Após seis meses de tratamento, cerca de 25% dos participantes sem as variantes atingiram as metas recomendadas de HbA1c. Entre os portadores da variante p.S539W, apenas 11,5% alcançaram esse objetivo. No caso da variante p.D563G, o índice foi de 18,5%. As variantes genéticas, porém, não parecem afetar a resposta a outros medicamentos comuns contra o diabetes, como sulfonilureias, metformina e inibidores de DPP-4. "O que foi realmente impressionante foi que não vimos efeito do fato de você ter ou não uma variante na sua resposta a outros tipos de medicamentos para diabetes", diz a cientista. "Conseguimos ver muito claramente que isso é específico de medicamentos que atuam por meio da farmacologia do receptor de GLP-1". Outras vertentes Dois outros ensaios clínicos patrocinados por empresas farmacêuticas tiveram resultados diferentes, com portadores e não portadores respondendo de forma semelhante. Segundo Gloyn, esses estudos envolveram agonistas do receptor de GLP-1 de ação mais prolongada, que podem ser mais capazes de superar a resistência ao hormônio. A equipe de pesquisa detectou os primeiros sinais de resistência ao GLP-1 há quase uma década, antes de esses medicamentos se tornarem amplamente conhecidos pelo uso no emagrecimento. Apenas dois dos ensaios clínicos analisados incluíam dados sobre perda de peso, e os resultados não mostraram diferenças entre pessoas com e sem variantes da PAM. Ainda assim, a evidência disponível foi considerada limitada demais para conclusões definitivas. "É muito comum que empresas farmacêuticas coletem dados genéticos de seus participantes", aponta. "Para os medicamentos GLP-1 mais novos, seria útil analisar se há variantes genéticas, como as variantes na PAM, que explicam os maus respondedores aos seus medicamentos". Embora o mecanismo biológico da resistência ainda seja desconhecido, Gloyn acredita que a resposta seja complexa e influenciada por múltiplos fatores. Ela compara o caso à resistência à insulina, fenômeno que ainda não é completamente compreendido apesar de décadas de estudo. "Há toda uma classe de medicamentos que são sensibilizadores de insulina, então talvez possamos desenvolver medicamentos que permitam que as pessoas sejam sensibilizadas aos GLP-1s ou encontrar formulações de GLP-1, como as versões de ação mais prolongada, que evitem a resistência ao GLP-1", afirma.
A canetinha tem seus favoritos? Cientistas descobrem por que Ozempic pode não funcionar para algumas pessoas; entenda
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