Estudo do NIH, feito em camundongos, identificou sinais em neurônios ligados à perda de peso e pode ajudar a explicar os chamados platôs no tratamento Fabricação de canetas de Ozempic na Novo Nordisk A/S, na Dinamarca — Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 11:35 Estudo do NIH revela por que efeitos de Ozempic podem diminuir Cientistas do NIH identificaram como medicamentos para perda de peso, como Ozempic, afetam neurônios, explicando por que a eficácia pode diminuir com o tempo. Estudos em camundongos mostraram que a semaglutida eleva o cAMP em áreas cerebrais que regulam o apetite, mas a resposta varia entre neurônios. Testes com roflumilaste prolongaram efeitos, sugerindo melhorias futuras nos tratamentos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) identificaram novos detalhes sobre como medicamentos para perda de peso da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Wegovy, afetam células do cérebro. As descobertas, baseadas em experimentos com camundongos, ajudam a explicar por que esses remédios podem ter efeitos diferentes de pessoa para pessoa e por que a perda de peso costuma desacelerar com o passar do tempo. Os agonistas do receptor GLP-1, incluindo medicamentos à base de semaglutida, já são conhecidos por reduzir o apetite e favorecer o emagrecimento. Os cientistas também já haviam identificado regiões do cérebro envolvidas nesses efeitos. Até agora, porém, havia menos conhecimento sobre o que acontece dentro dos neurônios atingidos por essas drogas. — Sabemos muito menos sobre os detalhes do que acontece dentro dos neurônios que esses medicamentos têm como alvo. Ao investigar esses mecanismos, começamos a responder algumas dessas perguntas — afirmou Andrew Lutas, pesquisador do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK), ligado ao NIH, e coautor correspondente do estudo. Famosas aderem ao 'Ozempic' 1 de 7 Dayanne Bezerra faz uso do Ozempic — Foto: Reprodução Instagram 2 de 7 Jojo Todynho já relatou usar Ozempic — Foto: Reprodução Instagram X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Luiza Possi revelou uso Ozempic — Foto: Reprodução Instagram 4 de 7 Oprah Winfrey assumiu usar Ozempic — Foto: Getty Images X de 7 Publicidade 5 de 7 Sharon Osbourne apostou em Ozempic para perder peso — Foto: Getty Images 6 de 7 Rebel Wilson adotou Ozempic para emagrecer — Foto: Getty Images X de 7 Publicidade 7 de 7 Karoline Lima revelou que usou Ozempic após críticas sobre seu corpo — Foto: Reprodução Instagram Celebridades admitiram uso do remédio, que é destinado ao tratamento de diabetes A equipe usou técnicas de imagem por fluorescência para acompanhar como a semaglutida afetava tecidos cerebrais vivos de camundongos. O trabalho foi liderado por Claire Gao, pesquisadora de pós-doutorado do Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais (NIGMS), também ligado ao NIH. Ao bloquear ou remover moléculas específicas de sinalização dentro dos neurônios, os cientistas conseguiram identificar quais vias celulares tinham maior influência nos efeitos associados à perda de peso. Os experimentos mostraram que a ação da semaglutida dependia fortemente do aumento dos níveis de monofosfato cíclico de adenosina, conhecido como cAMP, na área postrema, região do cérebro envolvida na regulação do apetite. A resposta, no entanto, não foi igual em todos os neurônios. — Não foi um fenômeno de tudo ou nada. Observamos que as respostas de cAMP entre as células variavam em um continuum — disse Michael Krashes, pesquisador sênior do NIDDK e também coautor correspondente do estudo. Os pesquisadores descobriram que alguns neurônios mantinham níveis elevados de cAMP por períodos mais longos enquanto a semaglutida estava presente. Outros apresentavam apenas aumentos temporários. Segundo os autores, algumas células podem reduzir sua resposta ao internalizar ou degradar receptores de GLP-1. A equipe também testou se seria possível prolongar esses sinais. Com o uso do roflumilaste, medicamento capaz de bloquear a PDE4, enzima que degrada o cAMP, os pesquisadores conseguiram fazer com que mais neurônios apresentassem uma resposta de maior duração. A descoberta levanta a possibilidade de que, no futuro, tratamentos com GLP-1 possam permanecer eficazes por mais tempo e, potencialmente, reduzir a frequência das injeções. Os cientistas também acreditam que esse tipo de modulação do cAMP pode ajudar, eventualmente, pacientes a superar os platôs de perda de peso frequentemente relatados com medicamentos dessa classe. Os autores, no entanto, ressaltam que ainda são necessários mais estudos antes que essas possibilidades sejam confirmadas. Uma das limitações da pesquisa foi o fato de que os sinais dentro das células cerebrais só puderam ser observados por algumas horas. A equipe espera usar novas técnicas em trabalhos futuros para acompanhar como os remédios GLP-1 afetam neurônios ao longo de dias ou semanas. As descobertas oferecem uma visão mais detalhada da química cerebral por trás desses medicamentos e podem orientar o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a obesidade nos próximos anos.