Dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo tomam remédios como o Ozempic. Trata-se de um experimento em tempo real que oferece muito mais dados do que um estudo clínico controlado conseguiria reunir.
Com a adoção acelerada dessas drogas, a ciência tem hoje um retrato mais claro do que nunca sobre seus efeitos e os desafios que acompanham seu uso.
"Normalmente, quando um novo medicamento surge, temos tempo para aprender a utilizá-lo", disse a médica Melanie Jay, diretora do programa de obesidade da NYU Langone, em entrevista durante uma conferência da Associação Americana de Diabetes, em Nova Orleans. Com os medicamentos GLP-1, afirmou, "todos estão, de certa forma, aprendendo ao mesmo tempo".
Aprovados inicialmente para tratamento de diabetes e, depois, de obesidade, alguns desses medicamentos já receberam autorização para tratar risco de ataques cardíacos e outros problemas cardiovasculares, além de apneia do sono, doença hepática grave e doença renal.
Parte desses benefícios decorre da perda de peso em si. Mas pesquisadores acreditam cada vez mais que essas drogas oferecem vantagens completamente independentes do emagrecimento. A teoria mais aceita é que esses medicamentos reduzem níveis elevados de inflamação, associada a diversas doenças crônicas.













