O passado nunca está morto. Nem sequer passou, como dizia o mestre. Tempos atrás, a Universidade Católica Portuguesa recebeu em Lisboa o diretor do Museu Estatal Auschwitz-Birkenau para uma conversa com os alunos.

Uma história impressionou o auditório. Contou Piotr Cywiński que, anos atrás, recebeu um telefonema de um aposentado alemão que queria saber se o pai havia trabalhado no campo de extermínio. Toda a família lhe dissera que não: o pai fora um soldado na Frente Leste, obrigado a combater e a morrer pela tirania nazista.

Mas ele duvidava dessa versão. Queria, numa palavra, certezas.

O diretor do museu pesquisou o nome nos arquivos. Dias depois, devolveu o telefonema: o pai havia trabalhado em Auschwitz-Birkenau como guarda da SS.

Do outro lado da linha, silêncio. Segundos depois, um simples "obrigado", provavelmente entre lágrimas.