As bolsas da Ásia tiveram queda nesta sexta-feira, com os investidores adotando uma postura defensiva antes do fim de semana, receosos com a escalada das hostilidades no Oriente Médio, enquanto as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã permanecem em um impasse. O movimento também refletiu a realização de lucros em ações de inteligência artificial (IA) e semicondutores, em meio a uma forte alta neste ano. O índice Nikkei 225, de Tóquio, fechou em queda de 1,31%, a 66.588,12 pontos e o índice Kospi, de Seul, caiu 5,54%, a 8.160,59 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,15%, a 24.961,95 pontos, e, na China continental, o índice Xangai Composto cedeu 0,74%, ficando em 4.027,73 pontos. Na semana, o Nikkei subiu 0,39%, o Kospi caiu 3,72%, o Hang Seng cedeu 0,88% e o Xangai Composto teve queda de 1%. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano na quinta-feira, e Israel afirmou que não retiraria suas tropas do país, minando os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper os combates e chegar a um acordo de paz com Teerã. Enquanto isso, uma onda de vendas impulsionada por inteligência artificial, após a fabricante de chips Broadcom divulgar resultados decepcionantes na quarta-feira, continuou pelo segundo dia consecutivo, com investidores realizando lucros após uma recente alta expressiva. Na Coreia do Sul, o Kospi, fortemente influenciado pelo setor de tecnologia, chegou a cair 7% ao longo do pregão. “Parece haver uma grande aversão ao risco hoje”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo. “A Coreia tem sido uma das maiores beneficiárias do superciclo de memória para IA, então, quando a Broadcom decepcionou as expectativas em relação à IA, os investidores rapidamente reduziram o risco em toda a cadeia de semicondutores”, disse ela. “A questão não é que a demanda por IA tenha desaparecido, mas sim que as expectativas se tornaram extremamente altas, e mesmo bons números não são mais suficientes, a menos que as projeções continuem a subir.” As ações chinesas de IA e comunicação despencaram na sessão da tarde, com quedas de 3,6% e 4%, respectivamente, após uma perspectiva de IA mais fraca do que o esperado da fabricante de chips americana Broadcom e quedas generalizadas na cadeia de suprimentos de IA globalmente. “O setor de tecnologia continua sendo o principal motor do desempenho superior a longo prazo nos mercados de ações da China”, disse Janice Hu, presidente do UBS China. “Observamos inovação tecnológica e localização da cadeia de suprimentos de semicondutores nos últimos anos e esperamos um forte apoio político contínuo. Combinado com ampla liquidez doméstica, isso permitiu que o grande setor de tecnologia da China demonstrasse um ritmo único de monetização.” As ações de empresas chinesas de semicondutores caíram 4,7%, após uma alta de quase 50% no acumulado do ano. As ações da AIA Group, HSBC Holdings e Standard Chartered, listadas em Hong Kong, caíram acentuadamente na sexta-feira devido a crescentes preocupações de que os controles de capital mais rígidos de Pequim possam prejudicar os negócios de empresas financeiras globais com exposição à China continental. Por fim, no mercado cambial, o dólar caminhava para uma alta semanal de 0,5%, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio. O iene se manteve próximo ao patamar de 160 por dólar, enquanto autoridades japonesas intensificavam os alertas sobre a moeda em dificuldades, mantendo os investidores em alerta para novas intervenções de Tóquio. Dados divulgados na sexta-feira mostraram que as reservas cambiais do Japão caíram US$ 77 bilhões em maio. O foco agora se volta para o relatório de emprego dos Estados Unidos conhecido como “payroll.” Qualquer resultado mais positivo provavelmente reduziria ainda mais as chances de um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano). — Foto: Ahn Young-joon/AP