As bolsas da Ásia fecharam em queda firme nesta segunda-feira, com o aumento das hostilidades no Oriente Médio elevando os preços do petróleo e com investidores se desfazendo das ações mais promissoras ligadas à inteligência artificial (IA), temendo que a valorização tenha ido longe demais e rápido demais. O índice Nikkei 225, de Tóquio, fechou em queda de 3,85%, a 64.024,60 pontos e o índice Kospi, de Seul, cedeu 8,2%, a 7.484,41 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,22%, a 24.657,06 pontos, e, na China continental, o índice Xangai Composto diminuiu 1,70%, a 3.959,33 pontos. Os dois principais fatores que desencadearam a queda das ações de tecnologia foram a perspectiva decepcionante da fabricante de chips Broadcom na semana passada e um relatório de empregos surpreendentemente forte nos Estados Unidos na sexta-feira, que levou os investidores a precificarem um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) ainda este ano. A escalada do conflito no Oriente Médio também afetou o sentimento do mercado, após Israel afirmar ter atacado alvos militares no oeste e centro do Irã, o que impulsionou os contratos futuros do petróleo Brent em 5%. “O mercado percorreu um longo caminho sem uma correção”, disse Lars Skovgaard, estrategista sênior de investimentos do Danske Bank. “A grande surpresa não é que tenha havido uma onda de vendas, mas sim que ela não tenha ocorrido antes.” O índice da bolsa de Seul, com forte presença de empresas do setor de semicondutores e o melhor desempenho do mundo neste ano, liderou as perdas com uma queda de mais de 8%, o que representa uma desvalorização de mais de 16% em relação à máxima histórica da semana passada. Já o Nikkei caiu quase 4%, com as empresas favoritas do mercado em toda a cadeia de suprimentos de produção de chips de computador sofrendo as maiores quedas. “O movimento parece mais um ajuste de posicionamento e desfazimento de momentum do que uma reavaliação da história de longo prazo da IA”, disse Marc Velan, chefe de investimentos da Lucerne Asset Management em Singapura. “As empresas de tecnologia sul-coreanas estiveram entre as de melhor desempenho global e eram amplamente negociadas, então, quando as expectativas de taxas de juros mudaram após o relatório de empregos, elas se tornaram uma fonte natural de liquidez.” O Xangai Composto registrou seu nível mais baixo desde 8 de abril e o Hang Seng apresentou seu nível mais baixo desde o fim de março. A experiência da onda de vendas de março deste ano, no início da guerra com o Irã, está dando a alguns participantes do mercado confiança em sua capacidade de superar a volatilidade de curto prazo. “De uma perspectiva de curto prazo, há uma bolha nas ações de IA da China”, disse Charles Wang, presidente da Shenzhen Dragon Pacific Capital Management Co. “Mas, em um horizonte de longo prazo, o mercado ainda está saudável.” O índice Xangai Composto reverteu todos os ganhos acumulados no ano, após ter subido mais de 7% em seu pico. O mercado de ações chinês permanece em uma fase de correção de curto prazo, mas o ritmo da retração deve diminuir consideravelmente a partir de agora, afirmou Li Qiusuo, analista-chefe de estratégia doméstica da CICC. “Neste momento, não há motivo para preocupação excessiva”, disse. O Xangai Composto subiu 10% desde sua mínima em março. Li prevê crescimento de 6% nos lucros de ações chinesas neste ano, o mais forte desde 2021. A alta das ações de tecnologia na China neste ano se concentrou na cadeia de suprimentos de chips, espelhando de perto o desempenho de ações globais como Micron e Nvidia, à medida que Pequim busca a autossuficiência em semicondutores. “Os fundamentos da infraestrutura de IA permanecem robustos”, disse Zeng Wenkai, diretor de investimentos da Shengqi Asset Management. “Essa liquidação global é simplesmente uma correção normal após uma realização substancial de lucros.” — Foto: Eugene Hoshiko/AP
Bolsas da Ásia despencam com tombo de ações de tecnologia e tensões no Irã
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