Com novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, os preços do petróleo voltam a subir na manhã desta sexta-feira, o que piora ainda mais o humor dos mercados globais Sede da TSMC em Kaohsiung, Taiwan — Foto: An Rong Xu/Bloomberg O tombo sofrido pelas bolsas da Ásia em meio à forte correção nas ações de semicondutores e de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) reverbera nos futuros dos principais índices acionários de Nova York, que aprofundam o resultado negativo já observado na sessão de ontem. E, com novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, os preços do petróleo voltam a subir na manhã desta sexta-feira, o que agrava ainda mais o sentimento de risco dos mercados globais. Por volta de 7h50 (de Brasília), o futuro do S&P 500 recuava 0,78% e o do Nasdaq cedia 1,50%. No mesmo horário, na Intercontinental Exchange (ICE), o barril do petróleo tipo Brent para entrega em setembro subia 1,66%, a US$ 85,63. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto avançava 2,10%, a US$ 80,61 por barril. Já o dólar exibe leve alta ante pares desenvolvidos, com o índice DXY avançando 0,07%, aos 100,830 pontos. A continuidade da realização de lucros nas ações de semicondutores ocorre após a divulgação dos resultados da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), que, embora tenha superado as estimativas de lucro, elevou as estimativas de investimento (capex) - um tema que tem sido bastante sensível para o mercado nas últimas semanas em meio a um aumento do endividamento de várias big techs e do capex elevado para financiar os projetos ligados à IA. Em Taiwan, as ações da TSMC despencaram e terminaram a sessão desta sexta-feira em queda de 7,29%. Ao mesmo tempo, as bolsas em Nova York também sofrem após a decepção com os resultados da Netflix, que recuam 9,73% nos negócios do pré-mercado. “Novas dúvidas sobre o ‘trade’ da IA têm gerado esse ‘sell-off’ pronunciado nas ações de tecnologia, ainda que não haja novos catalisadores para o movimento”, observam os estrategistas do Deutsche Bank. Na Europa, o índice Stoxx 600 cede 0,46%, com destaque para as ações da ASML, que, em Amsterdã, perdem 2,75%. Com esse desempenho ruim das ações de semicondutores e também dos papéis de algumas hyperscalers, é possível haver uma migração de recursos para a bolsa brasileira, como já ocorreu em outras ocasiões, caso o mau humor global não se intensifique. Além disso, embora os preços do petróleo sigam em alta, os rendimentos dos Treasuries operam em queda, em um possível sinal de migração da renda variável para a renda fixa americana em um movimento de busca por proteção. Na agenda da sessão, o mercado se atenta aos números do IBC-Br de maio, que devem confirmar a desaceleração da atividade econômica no Brasil e podem não ter tanto impacto nos ativos domésticos. Além disso, nos Estados Unidos, além de notícias relacionadas à guerra no Irã, o mercado deve observar o índice de sentimento do consumidor americano, que traz uma atualização das expectativas de inflação de curto e médio prazo.