Após anos de impulso principalmente pela demanda de soluções para reduzir impactos ambientais e otimizar o uso de recursos naturais, as cleantechs passaram a ser avaliadas pela capacidade de gerar resultados financeiros, escalar operações e resolver problemas concretos. Dados da Sightline Climate mostram que, embora o número de negociações tenha caído 18%, o investimento em startups verdes cresceu 8% e alcançou US$ 40,5 bilhões globalmente. “A discussão climática deixou de ser apenas reputacional e passou a ser econômica”, diz Amure Pinho, fundador do Investidores.vc. Segundo ele, as empresas são pressionadas por custos, regulação, cadeia de fornecedores e eficiência, criando um espaço para operações que conseguem transformar sustentabilidade em ganho operacional ou redução de desperdícios. O ecossistema deixou de girar em torno de energia solar e eficiência energética para incorporar inovações ligadas ao mercado de carbono, rastreabilidade de cadeias produtivas, agricultura de baixo carbono e gestão de resíduos, diz Leonardo Bona, coordenador de research da Distrito. Economia circular e logística verde também entram na lista. Startups que conseguem expandir, segundo Bona, têm três características: resolver um problema econômico, não só ambiental; entrar em uma companhia por meio de alguém com poder de contratação - e não apenas interessado em inovação -; e construir vantagens competitivas difíceis de replicar. Além disso, têm estruturas financeiras, operacionais e de governança para receber e gerir capital. Novas regulações climáticas e a COP30 contribuíram para ampliar o fluxo de capital para a economia verde no Brasil, diz Daniel Contrucci, cofundador e co-CEO da Climate Ventures. Para Bona, a conferência também elevou a visibilidade do país entre os investidores especializados em clima. Fundos concentrados na Europa e nos Estados Unidos passaram a olhar com mais atenção para a América Latina, em especial para o Brasil. “Poucos países combinam biodiversidade, potência agroindustrial e matriz energética relativamente limpa”, diz Pinho. São atributos que criam condições para que o país se torne exportador de soluções em agricultura sustentável, bioeconomia, energia e clima. Porém, há desafio de escala. Muitas startups estão em mercados complexos, com ciclos de venda longos, dependência regulatória e necessidade maior de recursos. “O capital continua disponível, mas o investidor quer entender margem, capacidade de execução e potencial de escalar”, afirma Pinho. Nesse novo ciclo, tendem a se destacar startups capazes de aliar impacto ambiental com modelos de negócio financeiramente sustentáveis. É o caso da Carbono Zero, que faz entregas com bicicletas e veículos elétricos. Fundada em 2010, captou R$ 320 mil em 2015, R$ 346 mil em 2016 e R$ 450 mil em 2020. “O segredo para atrair a atenção de investidores é mostrar que, com dinheiro, a empresa pode se posicionar bem, crescer rápido e recompensá-los”, diz o sócio e gestor Leonardo Lorentz. A empresa iniciou uma reestruturação para reduzir o número de acionistas e preparar-se para uma rodada de investimentos em 2027. Segundo Lorentz, o objetivo é crescer em três frentes: entregas para o comércio eletrônico, distribuição de produtos da indústria para canais de venda e transporte de documentos corporativos.
Cleantech precisa ir além de solução verde e gerar resultados
Startups verdes são pressionadas por custos, regulação, cadeia de fornecedores e eficiência












