Os mais recentes ataques trumpistas à soberania brasileira, ao classificar facções criminosas domésticas como terroristas e ao propor um novo tarifaço por supostas práticas comerciais desleais, não são atos isolados, mas tentáculos de um autoritarismo nefasto. As formas autoritárias do século XXI possuem determinadas especificidades, quando comparadas com as do século anterior. Ainda que identifiquemos elementos de continuidade, as manifestações dos últimos anos, por estarem diluídas na rotina democrática, tornam o tema ainda mais desafiador.
O autoritarismo deixou de ser a manifestação de um governo de exceção, em sua acepção clássica, para dar lugar às medidas de exceção associadas à produção fractal e líquida. Utilizamos a denominação autoritarismo líquido para falar dessa nova natureza no interior das rotinas democráticas, por se tratar de medidas fragmentadas, cirúrgicas, acionadas sob uma aparência de legalidade, o que torna sua identificação mais difícil.
Essa nova forma de autoritarismo é identificada no governo Trump. Inicialmente, foram adotadas medidas para restringir o direito à livre expressão por parte de cientistas e pesquisadores, tolher direitos de imigrantes e colocar em xeque o multilateralismo e a soberania das nações.













