Ministro das Relações Exteriores afirmou que o Brasil apresentou informações aos EUA para contestar investigações que podem resultar em tarifas ao país. Mauro Vieira disse que o Brasil já enviou aos Estados Unidos informações para contestar investigações que podem levar a tarifas contra produtos brasileiros. Segundo o chanceler, o governo brasileiro provou que os argumentos apresentados pelos EUA “não são legítimos”. Os relatórios finais das investigações da Seção 301 foram divulgados antes do prazo acertado por Lula e Trump em reunião em Washington, em maio. Ainda não há data para a conclusão das negociações, e não está confirmado se Lula e Trump terão reunião bilateral durante o G7, na França. Os EUA propuseram tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por suposta falha no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado; a medida passará por consulta pública até julho. "Os argumentos sobre tarifas não são legítimos", diz a Mauro Vieira O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para aplicar tarifas contra produtos brasileiros “não são legítimos”. Segundo Vieira, o Brasil já apresentou aos EUA informações para contestar as investigações que podem resultar na aplicação de tarifas ao país. “Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, disse Vieira, nesta quinta-feira (4). O ministro afirmou que é interesse do Brasil manter conversas com os EUA após a divulgação dos relatórios finais das investigações relacionadas à Seção 301. Os documentos foram apresentados antes do prazo estabelecido na reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês de maio. “Eu disse que era nosso interesse manter conversas, sobretudo depois do anúncio dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a Seção 301”, afirmou Vieira. Ainda não há uma data para a conclusão das negociações com os Estados Unidos. O presidente Lula confirmou presença na reunião do G7, que acontecerá em Evian, na França, mas ainda não está confirmado se haverá um encontro bilateral entre Lula e Trump para tratar do tema. Uma investigação dos Estados Unidos concluiu que 60 economias, entre elas o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs uma tarifa adicional de 12,5% para o Brasil. O governo americano também propôs uma tarifa adicional de 10% para economias que, segundo os EUA, já possuem alguma proibição parcial ou se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. A União Europeia está entre os alvos dessa tarifa. A medida ainda passará por consulta pública antes de ser implementada. O governo americano receberá comentários por escrito até 6 de julho de 2026. No dia seguinte, o USTR realizará audiências públicas para discutir as ações propostas. Especialistas avaliam que, assim como no tarifaço de 2025, existe espaço para o Brasil negociar nesta nova ameaça tarifária dos EUA — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Mauro Vieira