O governo brasileiro divulgou uma nota manifestando indignação com a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das mercadorias importadas do Brasil, no âmbito da investigação da Seção 301. O Palácio do Planalto atribuiu a medida à atuação da família Bolsonaro, acusando-os de "falsos patriotas" que "conspiram" contra os interesses nacionais. Também afirmou que se reserva ao direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, para evitar situações de "injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional". A nota foi divulgada no começo desta tarde, após uma reunião ministerial para discutir a estratégia de posicionamento do governo brasileiro. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, comandou a reunião, que contou com a participação dos ministros Márcio Elias Rosa, Sidônio Palmeira, Dario Durigan, Bruno Moretti e José Guimarães, além do embaixador Mauricio Lyrio. "Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais", pontua a nota divulgada pelo Planalto. "É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", completa. O governo brasileiro afirma que não há justificativa para a imposição de medidas unilaterais contra bens e serviços brasileiros ou contra o Pix, o sistema instantâneo de pagamento. Na nota, o governo cita que os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, e oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero. Para o governo brasileiro, o principal efeito das tarifas unilaterais seria impor danos "à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial". No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica, ao somar 9,4%. O governo brasileiro afirma que segue negociando para que o país não seja atingido pelas tarifas. "Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil". O setor privado também será instado a participar desse diálogo, diz a nota. "O governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros", diz o Palácio do Planalto.
Governo atribui proposta dos EUA de taxar Brasil à família Bolsonaro e fala em conspiração
Também afirma que se reserva ao direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, e que o setor privado será instado a participar dos diálogos











