Os Estados Unidos respeitarão os limites tarifários previstos nos acordos comerciais firmados com a União Europeia, o Japão e outros países, e as novas tarifas planejadas por Washington sobre produtos associados ao trabalho forçado fornecem a base legal para isso, afirmou nesta quinta-feira o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. "Entendemos que um acordo é um acordo", disse Greer a repórteres à margem de uma reunião ministerial da OCDE, em Paris. Os Estados Unidos firmaram acordos com a União Europeia e o Japão que limitam as tarifas americanas sobre a maioria das importações desses parceiros a um máximo de 15%. No entanto, o gabinete de Greer anunciou na terça-feira um novo conjunto de tarifas sobre diversos países após concluir que eles não conseguiram conter o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A União Europeia enfrentaria uma tarifa de 10%, enquanto o Japão seria alvo de uma tarifa de 12,5%. Além disso, uma investigação adicional da Seção 301 sobre excesso de capacidade produtiva poderá elevar as tarifas totais sobre produtos dessas duas economias para acima de 15%. Ao comentar o acordo comercial com a UE, Greer afirmou que o entendimento reconhece que os Estados Unidos podem impor tarifas "até um determinado nível" e que as investigações da Seção 301 dão ao presidente dos EUA, Donald Trump, autoridade para fazê-lo. Os EUA iniciaram as investigações da Seção 301 para reformular as tarifas de emergência de Trump, que foram derrubadas por uma decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro. Greer disse que os resultados da segunda investigação devem ser divulgados dentro de algumas semanas e acrescentou que a análise é complexa. O representante comercial afirmou que Washington buscará "compatibilizar" as conclusões de suas investigações com alguns dos acordos já firmados. "Essas duas coisas podem coexistir", disse ele. "Podemos tentar resolver essas barreiras comerciais injustas e práticas comerciais desleais que identificamos nessas investigações, e esperamos que exista uma forma de conciliar isso com todos esses acordos, que são realmente importantes para nós e para nossos parceiros comerciais." Greer afirmou que o governo Trump deixou muito claro desde o início sua preocupação com o trabalho forçado e com a incapacidade de alguns países de adotarem medidas eficazes para combatê-lo.