Escritório ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA deu até sexta-feira para que companhias de outros países encerrassem negócios com conglomerado econômico-militar Gaesa Triciclo passa em frente ao Gran Hotel Bristol, em Havana: grupo hoteleiro espanhol Meliá deixou administração de 15 hotéis em Cuba que operava em parceria com o conglomerado Gaesa — Foto: Yamil Lage/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 15:53 Empresas estrangeiras abandonam Cuba após pressão dos EUA sobre laços com Gaesa Sob pressão dos EUA, várias empresas estrangeiras estão abandonando Cuba após ultimato do governo americano para cortar laços com o conglomerado militar Gaesa. A rede espanhola Meliá e outras empresas, como Iberostar e Sherritt, estão encerrando ou reduzindo suas operações, impactando severamente a economia cubana. Os EUA ampliaram sanções contra Cuba, acusando o Gaesa de corrupção e reforçando bloqueios econômicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A dois dias do fim do prazo dado pelos EUA para que empresas estrangeiras rompam seus vínculos com o conglomerado econômico-militar Gaesa, de Cuba, companhias de vários países que investem em solo cubano há décadas anunciaram o encerramento ou a redução substancial de suas atividades na ilha comunista — uma medida que analistas avaliam ter um potencial devastador sobre a economia de Havana. A rede espanhola Meliá anunciou na quarta-feira que vai encerrar as operações nas administrações de 15 hotéis em Cuba em parceria com o Gaesa. Uma das primeiras redes hoteleiras espanholas a entrar no mercado cubano depois que a ilha se abriu para o turismo internacional — em uma tentativa para superar a crise provocada pela queda do bloco soviético em 1991 —, a empresa justificou a decisão no "contexto geopolítico". "Diante dos acontecimentos e circunstâncias que vêm ocorrendo no contexto geopolítico, social, jurídico e econômico da República de Cuba (...) [a Meliá] adotou a decisão de concluir imediatamente a prestação dos serviços de gestão e comercialização [dos hotéis indicados]", afirmou a empresa em comunicado. A rede espanhola não mencionou outros 19 estabelecimentos hoteleiros, que opera em parceria com o Ministério do Turismo de Cuba — a princípio, não alcançado pelas sanções imediatas americanas. Um caminho similar foi tomado pela Iberostar, que deixou de administrar 12 hotéis operados em Cuba em associação com o Gaesa. Fontes próximas ao setor afirmaram à AFP que a companhia continuará a trabalhar com outros seis empreendimentos ligados ao Ministério do Turismo. — O impacto para a economia cubana da saída de todas essas companhias internacionais no curto prazo é devastador — declarou o economista e consultor cubano Daniel Torralbas. Saída de empresas do setor hoteleiro por medo de sanções americanas tem impacto potencialmente grave sobre a economia de Cuba — Foto: Yamil Lage/AFP Cerco à economia cubana Em 1º de maio, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva endurecendo as sanções contra Cuba, classificando a ilha comunista, situada a 150 km da costa da Flórida, como uma "ameaça extraordinária" à segurança nacional dos EUA. A medida avançou sobre o já vigente bloqueio petrolífero, estendendo-se ao Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), vinculado às Forças Armadas de Cuba. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, firme opositor do governo de Havana, acusou líderes do regime comunista de roubo e corrupção por meio do Gaesa. O republicano apontou que o ex-presidente Raúl Castro, denunciado pela Justiça americana, foi o fundador do Gaesa, que, segundo o Departamento de Estado dos EUA, possui ativos avaliados em 18 bilhões de dólares (cerca de R$ 90,3 bilhões) e controla até 70% da economia do país. O governo cubano, por sua vez, defendeu na terça-feira o papel do conglomerado, criado na década de 1990 para contornar o embargo americano em vigor desde 1962 e gerar divisas para impulsionar a economia do país. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro dos EUA indicou a próxima sexta-feira, 5, como prazo final para que empresas estrangeiras com negócios com a Gaesa reajustassem suas operações ou enfrentem sanções dos EUA — o que pode implicar dificuldades de acesso ao sistema financeiro internacional e realização de transações e a proibição de trabalhar com bancos ou congelamento de ativos. Sede do Grupo de Administração Empresarial SA (Gaesa), conglomerado cubano alvo de sanções dos EUA — Foto: Yamil Lage/AFP Setores afetados A medida não afetou apenas redes hoteleiras espanholas. A rede canadense Blue Diamond anunciou na segunda-feira que estava encerrando suas operações em Cuba devido à situação atual do setor, em um momento em que a ilha enfrenta a pressão crescente dos EUA. O grupo asiático Archipelago International também estuda limitar sua presença ou abandonar a ilha, segundo fontes próximas ao setor. Ativa no setor de mineração, também na mira de Washington, a canadense Sherritt tornou-se, em 7 de maio, a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída de Cuba, de onde extraía níquel e cobalto desde a década de 1990 por meio da empresa mista General Nickel Company S.A. — [Esse cenário] transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos — disse Torralbas.
Pressão dos EUA com ameaça de sanções provoca retirada de empresas estrangeiras de Cuba
Escritório ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA deu até sexta-feira para que companhias de outros países encerrassem negócios com conglomerado econômico-militar Gaesa












