O Brasil não chega como favorito. Simples. Não fizemos um bom ciclo —nem em resultados, nem em desempenho. Nossos principais jogadores não conseguiram encaixar e formar uma equipe. Há esperança e também desconfiança de que Neymar chegue a tempo de nos salvar. O Brasil não é favorito, mas tampouco é azarão. Chegaremos em um bolo de seleções incompletas, em um torneio de oito jogos, sendo cinco mata-matas, que permitirá surpresas e times de ocasião chegando longe.

Quem fez o dever de casa e se organizou para entrar na Copa colocando medo foram Portugal, Espanha e França. Em teoria, a Argentina também, em que eu confio menos. As três seleções anteriores têm jogadores de sobra, formas de jogar bem consolidadas e foram testadas e aprovadas recentemente.

A Espanha aposta no controle de jogo com muita técnica desde os zagueiros, meio-campistas que não te deixam tocar na bola e dois atacantes de improviso, 1 vs 1 e capacidade de decisão. O que pesa contra é que justamente estes dois, Nico Williams e Lamine Yamal, chegam lesionados e não possuem substitutos à altura. A Espanha precisará recuperar seu melhor jogo já com a Copa em andamento.

Portugal e França possuem um misto de força, técnica e pragmatismo que pode levá-los longe, mesmo com os times dando a sensação de que jogam menos do que poderiam. Foi assim na Euro de 2024, quando a França foi até a semifinal com quatro gols em seis jogos, três empates, duas vitórias e uma derrota. Portugal caiu nas quartas de final para a França após 120 minutos de 0 x 0. Nas oitavas, também empatou sem gols com a Eslovênia, mas acabou avançando. A aposta é em solidez defensiva e que os ótimos jogadores de meio e ataque sejam capazes de desbloquear os jogos.