PUBLICIDADE Segundo Rodrigo Paz, projeto que fortalece o papel de forças de segurança seria uma 'ação humanitária'; há semanas, manifestantes exigem sua renúncia e bloqueiam estradas Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em cerimônia em La Paz — Foto: Aizar RALDES / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 19:17 Presidente da Bolívia propõe lei de exceção em meio a crise política O presidente boliviano Rodrigo Paz enviou ao Congresso um projeto de lei que regula o estado de exceção, visando fortalecer as forças de segurança durante a crise de protestos e bloqueios. Paz propõe diálogo com a oposição, mas enfrenta uma grave crise econômica e política, com renúncia de ministros e propostas de referendo revogatório. Ele acusa Evo Morales e narcotraficantes de instigar os protestos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, enviou ao Congresso nesta quarta-feira um projeto de lei para regulamentar o estado de exceção no país, no momento em que uma onda de protestos põe em xeque seu governo, com bloqueios, desabastecimentos e enfrentamentos. Segundo Paz, o texto segue uma lógica de ação humanitária, mas fortalece o papel das forças de segurança. O anúncio ocorreu um dia depois da renúncia de dois ministros do Gabinete que tomou posse há menos de sete meses. Durante a cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Ernesto Justiniano, Paz afirmou que a iniciativa prevê um conjunto de regras que permitam, especialmente, encerrar os bloqueios em estradas, principal efeito da onda de manifestações e que afetam milhões de pessoas. — Apresentamos um projeto de lei baseado no princípio da ação humanitária; tudo o que a Polícia e as Forças Armadas fizerem será considerado ação humanitária. Esta lei regulamentar para os estados de exceção já foi enviada ao Parlamento, e espero que seja aprovada em breve — declarou o presidente, citado pelo jornal La Razón. No fim do mês passado, já em meio aos protestos, o Congresso boliviano derrubou um conjunto anterior de regras para o estado de exceção, que exigia a aprovação do Parlamento para sua decretação, e dava ao Legislativo poderes para restringir liberdades de reunião e circulação. Políticos e juristas alertavam que a decisão criava um vazio jurídico para a aplicação da ferramenta constitucional. Não há data para a votação do novo texto. Durante a cerimônia, Paz não descartou a decretação de medidas duras, mas disse que, no momento, sua primeira opção é o diálogo com a oposição — ele acrescentou que as portas do governo seguem abertas para ouvir as demandas dos manifestantes, que já rejeitaram propostas anteriores. — Nós viemos de uma cultura constitucional democrática genuína de diálogo. Não levantamos as mãos para atacar outro boliviano. Em vez disso, estendemos as mãos para dialogar e construir consenso — afirmou. — A tarefa imediata é recuperar a normalidade (...). O diálogo está sempre aberto, mas aqueles que se recusam a dialogar não podem paralisar o país. Manifestantes antigoverno bloqueiam uma estrada na região de La Ceja, em El Alto, Bolívia, na terça-feira — Foto: Marvin Recinos Até terça-feira, autoridades rodoviárias afirmam que havia 85 pontos de bloqueio na Bolívia, especialmente ao redor de cidades como La Paz, Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Oruro. O governo afirma que as barreiras causam problemas de abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos: segundo dados oficiais, ao menos sete pessoas morreram por falta de atendimento médico devido aos bloqueios, incluindo uma menina de 12 anos que se submetia a um tratamento contra o câncer. O lixo se acumula nas ruas, e motoqueiros, cujas motos estão com os tanques vazios, são obrigados a dormir em barracas. Além do diálogo proposto, Paz anunciou, no mês passado, que faria mudanças em seu Gabinete, e dois ministros já deixaram seus postos. Os titulares das pastas da Educação, Beatriz García, e Defesa, Mauricio Salinas, entregaram seus cargos na terça-feira, em decisões associadas por analistas a erros cometidos no processo de negociação e, no caso de Salinas, na incapacidade de estabelecer corredores humanitários. No Parlamento, a oposição apresentou um projeto de referendo revogatório, para que os bolivianos pudessem destituir o presidente após a primeira metade do mandato. Paz e seus aliados acusam o ex-presidente Evo Morales — alvo de mandado de prisão em um processo em que é acusado de abuso de uma menor de idade — de liderarem os protestos, no que classificam de uma tentativa de alterar a ordem democrática. Durante a posse de Justiniano, Paz ainda acusou as organizações ligadas ao narcotráfico de patrocinarem os bloqueios, e disse que a Bolívia enfrenta a “batalha das batalhas”. — Ou transformamos nossa nação rumo a um futuro institucionalizado, livre de corrupção e com o narcotráfico sob controle, ou retornaremos a um passado onde tudo era permitido — declarou. — Precisamos vencer esta batalha. Não para derrotar outros bolivianos, mas para derrotar a pobreza, a corrupção, o narcotráfico e todos aqueles que querem destruir nossa nação. Nós seremos os vencedores.
Presidente da Bolívia envia projeto de lei com regras para estado de exceção, mas propõe diálogo para resolver crise
Segundo Rodrigo Paz, projeto que fortalece o papel de forças de segurança seria uma 'ação humanitária'; há semanas, manifestantes exigem sua renúncia e bloqueiam estradas











