A incorporadora Habitare, sediada em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, quer consolidar sua posição no mercado imobiliário com a meta de triplicar o faturamento este ano. Roberto Coutinho, fundador da Habitare, mira na receita bruta de R$ 200 milhões, depois de o negócio atingir faturamento de R$ 74,7 milhões em 2025. Inaugurada em 2020, a empresa está em processo avançado de listagem para se tornar uma S.A. de capital aberto. Os planos incluem o IPO (oferta pública inicial) pela plataforma BEE4 até 31 de dezembro. Com atuação na cidade que detém a quinta maior renda per capita do Brasil e um IDH alto, a incorporadora foca no segmento de compactos premium. Nessa faixa, o tíquete médio com relação ao valor dos apartamentos gira entre R$ 500 mil e R$ 800 mil, e o metro quadrado varia entre R$ 15 mil e R$ 25 mil. Com quatro empreendimentos já lançados e aportes que somam quase R$ 20 milhões, a Habitare trabalha com o conceito de “tipologias inteligentes", como define Coutinho. São unidades de 40 a 80 metros quadrados desenhadas prioritariamente para o morador final, o que tem garantido uma recorrência de aquisições por parte de sua base de clientes, diz Coutinho. Por ser administrador e não ter formação em engenharia, Coutinho opta por uma gestão mais disruptiva e não aceita o lema de que "sempre foi assim". Em vez de oferecer áreas comuns meramente estéticas, a Habitare foca na usabilidade e em experiências de saúde e longevidade. “Não sendo engenheiro, não parto desse conceito. A gente constrói prédio, atualmente, como os romanos construíam ainda; pedra e argamassa", ressalta o empreendedor. As quatro construções já lançadas incluem inovações como pontos de pouso para drones de entrega, saunas finlandesas conjugadas a banheiras de gelo e sauna infravermelha, que é especificamente voltada para a recuperação muscular. Além disso, há áreas de reconexão dentro dos edifícios com vitrolas e discos de vinil, que, segundo Coutinho, não são apenas itens estéticos, mas se tratam de funcionalidades desenhadas para se tornarem hábitos diários dos moradores. Coutinho afirma que o objetivo é entregar uma "arquitetura que devolve tempo, saúde e longevidade pro nosso cliente". Em busca dessa meta, a incorporadora desenvolve projetos para o morador final, o que acaba atraindo o investidor consequentemente, observa o executivo. Por isso, a empresa evita projetos de apartamentos com metragens reduzidas e prioriza em unidades do tipo compactos premium (de 40 a 80 metros quadrados). Coutinho enfatiza que o foco está sempre na usabilidade diária. Acesso estratégico ao mercado de capitais No quesito governança, a Habitare busca se destacar pela transparência e proximidade com o mercado de capitais. Desde sua fundação como S.A. de capital fechado, a empresa mantém balanços auditados e uma política de tokenização de todos os seus recebíveis, garantindo rastreabilidade total para os investidores. “A governança é tratada pela Habitare como um pilar estratégico que permite o acesso a recursos mais baratos e a veículos de investimento geralmente restritos a grandes empresas", diz Coutinho. A migração para companhia aberta está ocorrendo de forma natural, com o intuito de mitigar custos e buscar maior eficiência financeira. Os planos da Habitare incluem o ingresso no Regime Fácil, que entrou em vigor em março deste ano. O executivo diz que a abertura da empresa por intermédio do novo ambiente, regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), permitirá à incorporadora acessar veículos de captação de recursos mais diversos e baratos. Outro ganho é a maturidade na governança, ressalta. "A gente entende que é um caminho sem volta. Se tudo der certo, até o dia 31 de dezembro a gente vira S.A. de capital aberto, permitindo ter acessos a outros veículos de captação", afirma Coutinho. Além da consolidação em Niterói, a empresa analisa projetos de segunda moradia em Teresópolis, região serrana fluminense, e Angra dos Reis, litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Em todos os empreendimentos, a incorporadora mantém o foco em localizações premium e exclusivas. A expansão da Habitare está concentrada em locais de veraneio que permitam manter o padrão de qualidade e usabilidade da marca, ressalta o empreendedor. Antes de fundar a Habitare, em 2020, Coutinho atuou como consultor tributário e vice-presidente de uma indústria, trazendo para a incorporação uma mentalidade de gestão que foge do que ele classifica como “tradicionalismo do setor”. O administrador também trabalhou no segmento imobiliário por alguns anos antes de lançar seu próprio negócio.
Incorporadora Habitare prepara IPO na BEE4 até o fim de 2026
Com foco no em apartamentos compactos e funcionais, empresa planeja triplicar receita bruta e atingir faturamento de R$ 200 milhões ainda este ano











