Inspirado em favelas, condomínio na zona sul do Rio tem imóveis milionáriosProjeto de Sérgio Bernardes tem 60 casas e é adaptado de proposta pensada para comunidade carioca. Crédito: Breno Damascena | Edição: João AbelGerando resumoA incorporadora Idea!Zarvos entregou, no início do ano, um edifício corporativo de 7,8 mil metros quadrados no Jardim Europa. Fruto de um investimento de R$ 165 milhões, o projeto foi desenvolvido no terreno que abrigava a casa de João Paulo Diniz, filho do empresário Abilio Diniz. PUBLICIDADEIdealizado a partir de uma parceria da incorporadora com a família de João Paulo, que morreu em 2022, aos 58 anos, o projeto conta com a assinatura de Isay Weinfeld. O terreno era a residência da família e hoje eles são sócios do empreendimento. Localizado entre a Alameda Gabriel Monteiro da Silva e as ruas Mariana Corrêa e Grécia, o Gabriel 1825 negocia o metro quadrado (para locação) a cerca de R$ 300, preço praticado nas áreas mais nobres da cidade.À frente do Gabriel 1825, o arquiteto Isay Weinfeld havia desenhado a casa da família de João Paulo Diniz Foto: Tiago Queiroz/Estad“O Jardim Europa é um dos pedaços mais ricos da cidade e praticamente nenhum terreno está disponível. Além disso, o tombamento (da área) impõe restrições e dificuldades técnicas que tornam a aprovação e a execução de projetos muito complexas É uma construção única, difícil de ser replicada”, comenta Otavio Zarvos, CEO da incorporadora.PublicidadeCom três pavimentos, o edifício tem sete escritórios e três lojas em um terreno de 4,7 mil m². Os escritórios apresentam metragens que variam de aproximadamente 340 m² a 1.374 m². As unidades são distribuídas ao redor de uma praça de 1,5 mil m² criada pelo paisagista Ricardo Cardim para incentivar a circulação e a convivência dos usuários.A praça é uma ampliação de um jardim que já ocupava a antiga residência. A casa, porém, foi completamente demolida para dar lugar ao novo prédio. Terreno do Gabriel 1825 já foi ocupado por uma escola e um escritório antes de se tornar a casa de João Paulo Diniz Foto: Tiago Queiroz/EstadA proposta é que o edifício seja uma extensão do eixo Faria Lima, mas com uma outra dinâmica de arquitetura. “Diferente dos prédios da Faria Lima, que costumam ser mais confinados, esse empreendimento propõe um ambiente mais arejado e leve. O design é focado em empresas que buscam algo além do escritório convencional”, justifica Zarvos. “Construímos um jardim com espécies nativas da Mata Atlântica, capaz de contribuir para a biodiversidade urbana e reaproximar as pessoas da natureza”, comenta o executivo. “É um projeto sem muros, que abre essa paisagem para a cidade.” PublicidadeProposta do Gabriel 1825 é de uma arquitetura com espaços amplos, uso de madeira e diferenciação dos edifícios comerciais tradicionais Foto: Tiago Queiroz/EstadEntregue no começo do ano, o prédio já tem 50% de ocupação e chama a atenção para uma região com baixo estoque de escritórios na cidade.Escritórios no Jardim EuropaA empresa de design Docol e o spa Kur Wellness São Paulo já se instalaram no local. A gestora de venture capital Monashees também fechou contrato de locação. Zarvos conta que fundos de investimento e empresas de advocacia, tradicionais ocupantes dos escritórios da Faria Lima, demonstraram interesse, mas ainda não formalizaram o negócio.Projeto tem sete escritórios, três lojas e uma praça com vegetação da Mata Atlântica Foto: Tiago Queiroz/EstadO mercado corporativo de alto padrão na região dos Jardins é bastante reduzido. De acordo com dados da consultoria Newmark, o quadrilátero formado pela Alameda Santos e Avenida Brigadeiro Luís Antônio até a Rua Groenlândia e Alameda Gabriel Monteiro da Silva soma cerca de 87 mil m² de escritórios, o equivalente a apenas 1,5% do estoque de alto padrão de São Paulo — o menor entre os principais eixos corporativos.Diferentemente dos megaempreendimentos das regiões corporativas tradicionais, a maior parte dos escritórios dos Jardins são de ocupação única. Segundo a Newmark, 72% do estoque é de prédios com apenas um ocupante e a taxa de vacância chega a 9,6%, inferior à média da cidade, de 14,7%.PublicidadePUBLICIDADENo entanto, a perspectiva é que a região cresça nos próximos anos. Atualmente, há 24 mil m² em construção, dos quais 87% são corporativos de alto padrão previstos para 2026. “A região dos Jardins se posiciona como um mercado corporativo de nicho, com oferta restrita e ativos de alto padrão que sustentam valores de locação acima da média da cidade”, analisa Mariana Hanania, head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark.“A recente entrega de novos empreendimentos trouxe oportunidades pontuais, mas a absorção acompanha o aumento da oferta, o que reforça a atratividade da região”, ressalta Hanania.Grafite de Os Gêmeos foi mantido no atual projeto Foto: Tiago Queiroz/EstadãoO preço médio praticado na cidade é de R$ 121 por metro quadrado. O preço médio pedido para o bairro, segundo a Newmark, varia entre R$ 180 e R$ 210 por m² ao mês. Outro levantamento, desta vez realizado pela consultoria Siila a pedido do Estadão, indica que o Gabriel 1825 se consolida como o metro quadrado mais caro do Jardim Europa. Segundo o estudo, os edifícios mais caros no bairro, excluindo aqueles que são observados como pertencentes à Faria Lima, são o Gabriel Monteiro 2555 (R$ 156/m²) e o Europa 105 (R$ 148/m²).Publicidade
Idea!Zarvos transforma casa de João Paulo Diniz, no Jardim Europa, em prédio corporativo de luxo
Com investimento de R$ 165 milhões, Gabriel 1825 tem VGV estimado em mais de R$ 300 milhões














