Favorito no segundo turno presidencial, Abelardo de la Espriella adota uniforme da equipe nacional em campanha e provoca reação de adversário de esquerda Abelardo de la Espriella discursa após liderar o primeiro turno da eleição presidencial da Colômbia, em Barranquilla, em 31 de maio — Foto: Carlos Parra Rios/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 16:41 Camisa da Seleção Colombiana vira alvo de disputa política na eleição presidencial A camisa da seleção colombiana se tornou foco de disputa política na Colômbia, com Abelardo de la Espriella, candidato de direita, usando o uniforme em sua campanha presidencial. A estratégia gerou críticas de seu oponente de esquerda, Iván Cepeda, que acusa De la Espriella de transformar o símbolo nacional em ferramenta ideológica. O episódio reflete a polarização política às vésperas da Copa do Mundo de 2026. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A camisa da seleção colombiana de futebol se transformou em mais um elemento da polarizada disputa presidencial do país, a poucas semanas do segundo turno e dias antes do início da Copa do Mundo de 2026. Favorito para vencer a eleição marcada para 21 de junho, o advogado Abelardo de la Espriella tem incorporado à campanha o uniforme amarelo da seleção colombiana, com listras vermelhas nos ombros e detalhes azuis nas mangas. O político de direita costuma aparecer com a camisa durante discursos em que promete combater a esquerda, bombardear grupos guerrilheiros e construir megaprisões inspiradas no modelo promovido pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele. No domingo, centenas de apoiadores de De la Espriella usaram a camisa da seleção ao comparecer às urnas. O candidato terminou a votação com quase 44% dos votos, resultado acima do esperado pela maioria das pesquisas. Na noite da eleição, ele subiu ao palco atrás de um vidro à prova de balas vestindo o uniforme da equipe nacional, enquanto criticava o establishment político colombiano e classificava seus adversários como “delinquentes miseráveis”. A associação entre a camisa da seleção e um movimento político remete ao caso brasileiro, onde o uniforme passou a ser fortemente identificado com a direita durante a ascensão de Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, frequentemente utiliza a camisa em eventos políticos e viagens ao exterior. Na Colômbia, a estratégia de De la Espriella provocou reação imediata de seu adversário no segundo turno, o senador de esquerda Iván Cepeda. Um dia após a votação, Cepeda afirmou que a seleção pertence a todos os colombianos e acusou o rival de transformar o uniforme em um símbolo ideológico para obter vantagem eleitoral. — O sr. De la Espriella tem o hábito de tomar para si coisas que não lhe pertencem — afirmou Cepeda, aliado de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país. — Desde quando a seleção nacional se tornou propriedade da campanha dele? A Colômbia, liderada por estrelas como James Rodríguez e Luis Díaz, iniciará sua campanha na Copa do Mundo FIFA de 2026, no México, quatro dias antes da eleição presidencial, enfrentando o Seleção do Uzbequistão em sua partida de estreia. Tensões políticas As tensões políticas transbordaram para as ruas na noite de segunda-feira, quando a seleção disputou seu último amistoso antes do torneio contra a Seleção da Costa Rica. Centenas de apoiadores de Cepeda se reuniram do lado de fora do Estádio El Campín, em Bogotá, e vandalizaram o ônibus da equipe, entoando slogans de campanha e cobrindo o veículo com cartazes retratando o senador de esquerda. Em uma publicação no X, De la Espriella usou o episódio para voltar a atacar o adversário. “Enquanto nós usamos a camisa da seleção, eles atacam e vandalizam o ônibus da seleção. Diferenças...”, escreveu. Para James Bosworth, autor da newsletter Latin America Risk Report, apoiar a seleção nacional durante a Copa do Mundo deveria ser uma estratégia política evidente. — Abelardo não é um gênio por perceber isso — afirmou. — O fato de Cepeda e Petro não terem feito isso primeiro e estarem resistindo a isso agora faz com que pareçam desconectados da realidade.